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Novos documentos do processo sobre a queda do avião da Voepass – acidente aéreo que matou 62 pessoas em agosto de 2024 -, revelam que ex-diretores da companhia aérea sediada em Ribeirão Preto divergiram sobre quem respondia pela manutenção e controle das aeronaves. O sigilo do caso foi retirado pela Justiça Federal nesta quarta-feira (4).
Ouvidos pela PF (Polícia Federal), os ex-diretores Marcel Sarquis Moura, responsável pelas operações, e Carlos Alberto Costa, que ocupava a diretoria de manutenção, apresentaram versões divergentes sobre quem respondia pelo controle e pela manutenção dos aviões.
Moura afirmou que, pouco antes do acidente, a estrutura foi desmembrada e Raphael Limongini, que foi chefe dos pilotos até julho de 2024, assumiu uma parte da diretoria do Centro de Controle de Operações. Até então ele era piloto-chefe.
Moura declarou que, como diretor de operações, não precisava necessariamente ser habilitado para pilotar o avião, pois esse não seria um requisito da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Já o piloto-chefe, segundo ele, tinha responsabilidade técnica por ser habilitado na aeronave.
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O ex-diretor de manutenção Carlos Alberto Costa afirmou que tinha influência sobre o Centro de Controle de Manutenção quando entrou na companhia. No entanto, segundo o seu relato, antes do acidente, a estrutura passou a integrar o Centro de Controle de Operações, e Moura teria assumido a responsabilidade pelos consertos dos aviões.
Em trecho do depoimento, Costa afirmou que ficou insatisfeito com a mudança na estrutura.
“Particularmente, fiquei chateado, porque perdi essa área. O MCC é o Centro de Controle de Manutenção. Ele foi pra debaixo do Moura e o Juliano também passou pra debaixo do Moura”, declarou.
PF aponta falhas na gestão
chances de ser
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O relatório final da PF concluiu que o organograma e o manual da empresa atribuíam ao diretor de operações a responsabilidade por garantir que os voos seguissem as limitações técnicas.
A corporação destacou que o MCC era gerido por Juliano Flores Pacheco — que estava com a licença cassada por irregularidades técnicas —, o qual respondia diretamente a Moura. Para a PF, manter Pacheco no cargo sob supervisão representou uma falha grave de gestão. O inquérito concluiu que o acidente decorreu de uma “cultura de não reporte” e de uma diretoria que priorizava a frota voando em detrimento da segurança.
Em outubro deste ano, a Justiça Federal tornou réus 12 funcionários e ex-funcionários da empresa.
A Voepass declarou, por meio de nota, que continuará colaborando com a Justiça e as autoridades fornecendo informações e documentos solicitados ao longo do processo.
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