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Voepass: tragédia completa 1 ano com investigação aberta e famílias sem respostas

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No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass caiu em um condomínio de Vinhedo, no interior de São Paulo, matando 62 pessoas, entre passageiros e tripulantes. O acidente, o mais grave da aviação comercial brasileira desde 2007, completa um ano neste sábado (9) e ainda levanta questionamentos sobre suas causas.

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicou que a aeronave entrou em “parafuso chato” após alerta de perda de sustentação (stall) e apresentou falhas no sistema de degelo, acionado e desligado diversas vezes durante o voo.

O documento final não tem previsão de divulgação. Técnicos do Cenipa analisam dados dos gravadores, destroços, condições meteorológicas e históricos de operação da frota. A Polícia Federal apura suspeitas de omissão na manutenção e ausência de registros formais de problemas relatados verbalmente pelo piloto.

ANAC e Voepass

Paralelamente, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) acompanhou a assistência às famílias e, diante de não conformidades operacionais, suspendeu as atividades da Voepass em março deste ano. Em junho, cassou o Certificado de Operador Aéreo da empresa, que, em abril, havia entrado em recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 400 milhões.

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‘Isso não é vingança, isso é justiça’

Em conversa com o acidade on, o advogado das famílias das vítimas, Luciano Katarinhuk, as expectativas são claras:

“Primeiro, que os responsáveis sejam identificados, denunciados e punidos, e que isso nunca mais aconteça na aviação brasileira“, afirma.

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Ele acrescenta que não é ansiedade, é angústia por um desfecho.

Quando isso acontecer, como promete a Polícia Federal, teremos a identificação e punição dos responsáveis. Isso não é vingança, isso é justiça

finaliza Luciano

Associação dos familiares

Criada nos meses seguintes ao acidente, a Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283 atua para cobrar agilidade nas investigações, mudanças na legislação e protocolos de apoio a parentes de vítimas de tragédias aéreas. Integrantes da entidade já se reuniram com representantes do Cenipa, ANAC, Polícia Federal e do Congresso Nacional para defender medidas que reforcem a segurança operacional.

O luto segue presente no cotidiano de quem perdeu familiares.

O avião cai todo dia

disse Fátima Albuquerque, mãe de uma das vítimas.

O que diz a Voepass?

Em nota enviada à imprensa, a Voepass destacou que o acidente do voo 2283, ocorrido em 9 de agosto de 2024 na região de Vinhedo (SP), foi o episódio mais difícil da história da companhia. A empresa afirmou que segue solidária às famílias das vítimas e mantém um compromisso firme de apoio integral desde o primeiro momento.

Segundo a Voepass, formou-se um comitê de gestão de crise para oferecer atendimento especializado, incluindo suporte psicológico e logístico às famílias.

A companhia ressaltou a transparência no relacionamento com as autoridades e o estágio avançado nas tratativas indenizatórias, além de apoiar as homenagens promovidas pelas famílias ao longo do ano. Sobre a apuração das causas, a Voepass reafirmou confiança no trabalho do Cenipa e ressaltou a complexidade do processo investigativo, que depende da análise de múltiplos fatores e demanda tempo para uma conclusão definitiva.

A empresa destacou que, segundo o relatório preliminar divulgado em setembro de 2024, a aeronave estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido e os sistemas necessários em funcionamento. A Voepass afirmou que sempre pautou sua atuação por padrões internacionais de segurança, incluindo a certificação IOSA, concedida apenas a operadores auditados pela IATA, e o acompanhamento da ANAC. Por fim, informou que as tratativas trabalhistas e com credores seguem em andamento na esfera judicial, reafirmando seu compromisso com responsabilidade, humanidade e empatia.


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