
Falhas no sistema operacional do governo estadual deixaram servidores sem acesso aos comprovantes de depósitos do FGTS; problema também atinge Hospital das Clínicas
Cerca de 30 mil trabalhadores celetistas – contratados via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – da saúde do Estado de São Paulo enfrentam problemas com os registros de suas contribuições ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por falhas no sistema do governo estadual.
Servidores tem reclamado que suas contribuições não aparecem no serviço “Meu INSS”, dificultando a concessão de benefícios. O problema atinge profissionais como médicos, enfermeiros, assistentes sociais e de outros setores. No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC–RP), segundo funcionários ouvidos, não há registros de depósitos de FGTS desde o início de 2025.
Os sindicatos dos servidores denunciaram o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT), mas uma tentativa de conciliação realizada no mês de maio não teve sucesso. Na ocasião, o governo estadual não enviou representantes com capacidade de esclarecimento, levando ao arquivamento do processo.
O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Augusto Ribeiro Silva, não descarta entrar com ação judicial. O governo de São Paulo afirma que os pagamentos estão em dia e que as certidões negativas estão disponíveis.
No entanto, reconhece que podem ocorrer divergências técnicas nos sistemas. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP) tem se reunido mensalmente com representantes dos sindicatos para discutir as questões, mas a situação ainda não foi resolvida. Os servidores ameaçaram greve em julho, mas a paralisação foi suspensa após promessas de regularização até este mês de agosto.
Alfredo Risk
No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP), segundo funcionários ouvidos, não há registros de depósitos de FGTS desde o início de 2025