A Justiça de Ribeirão Preto começa a ouvir, nesta terça-feira (9), as testemunhas de acusação no caso da professora Larissa Rodrigues, de 37 anos, morta por envenenamento em março.
Os réus são a sogra, Elizabete Arrabaça, e o marido, o médico Luiz Garnica, que estão presos desde maio e negam envolvimento no crime.
Segundo o MP (Ministério Público), 24 testemunhas que participaram da fase do inquérito policial foram convocadas para a audiência. “Essas testemunhas servem para confirmar que nós temos indícios de autoria de que os réus foram os responsáveis pela morte da Larissa”, explicou o promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino.
Presos preventivamente em Tremembé e Serra Azul, respectivamente, Elizabete e Luiz Garnica vão acompanhar os depoimentos de forma virtual, segundo o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
Após os depoimentos, o juiz do caso determinará se os acusados serão levados a júri popular. Vale dizer que a decisão pode não ser anunciada ainda nesta terça-feira.

Acusação do Ministério Público
O MP denunciou o marido e a sogra da vítima por feminicídio, com três qualificadoras: envenenamento, motivo torpe e cruel e uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima.
O médico também foi denunciado por fraude processual, por alterar a cena do crime no dia em que a professora foi encontrada morta no apartamento do casal, na zona Sul de Ribeirão Preto.
Ainda segundo a denúncia do MP, Luiz teria planejado o crime por enfrentar dificuldades financeiras e por não aceitar o fim do casamento, já que ele temia a divisão de bens após a esposa descobrir uma traição. O médico teria planejado o assassinato da esposa e a mãe do dele executou o crime.
Dados de GPS
Segundo a Polícia Civil, na véspera da morte de Larissa, Luiz Garnica teria entrado em contato com Elizabete Arrabaça, que permaneceu cerca de quatro horas no apartamento da nora.
O promotor Marcus Túlio Nicolino afirma o médico dormiu na casa da amante na noite anterior do crime para criar um álibi.
Durante a investigação, foi autorizada a extração dos dados móveis dos celulares do médico e da mãe dele, feita com base nas informações de geolocalização. Para o advogado do médico, os dados sugerem que Elizabete pode ter passado a noite toda com a nora.
“O sinal do celular da senhora Elizabete naquele dia só dá na [rua] Inácio Luiz Ferro, no apartamento do Luiz e da Larissa, então isso pode ir contra o próprio caderno de anotação do prédio”, afirma Júlio Mossin.

Vale dizer que no caderno de entrada e saída do prédio, segundo a polícia, consta que Elizabete entrou no edifício pouco antes das 21h do dia 21 de março e saiu por volta de 0h50 de 22 de março.
A Elizabete não nega que esteve no apartamento, só que é muito curioso porque ninguém viu ela entrar e sair. O zelador não viu, o porteiro não viu. Apareceu um registro de que ela teria entrado e saído que a gente não sabe quem escreveu, inclusive rasurado a hora da saída dela, então essas informações não batem. Isso nos dá o direito de pensar que além dela, pode, sim, outra pessoa ter ido lá
Bruno Corrêa, advogado de Elizabete Arrabaça
A defesa de Elizabete ainda atribui a uma falha tecnológica os dados de GPS apontarem que ela teria permanecido no aparta até a manhã em que Larissa foi achada morta.
*Com informações da EPTV e g1 Ribeirão Preto e Franca
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