Faturamento da Agrishow despenca 23,3%

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Edição 2026 gerou volume total de R$ 11,2 bilhões em intenções de negócios, queda de 23,29% e R$ 3,4 bilhões a menos que os R$ 14,6 bilhões de 2025

A 31ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow 2026), realizada entre 27 de abril e 1º de maio, gerou um volume total de R$ 11,2 bilhões em intenções de negócios, queda de 23,29% e R$ 3,4 bilhões a menos que os R$ 14,6 bilhões (valor recorde em mais de três décadas) do ano passado. Também é 29,11 % inferior aos R$ 15,8 bilhões projetados pelos organizadores, R$ 4,6 bilhões a menos.

Os R$ 14,6 bilhões de faturamento em 2025 representam valor recorde desde 1994, volume 7,35% superior aos R$ 13,6 bilhões de 2024, acréscimo de R$ 1 bilhão. A organização também anunciou que 197 mil pessoas de vários estados brasileiros e de outros países passaram pela feira este ano, mesmo público do ano passado, dois mil visitantes a mais que os 195 mil de 2024, crescimento de 1,02%.

Estudo da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) durante as edições de 2023 e 2026 indica que a injeção de recurso pode chegar a R$ 500 milhões na economia regional. Esse montante contemplaria os gastos dos visitantes em transporte, hospedagem, bares e restaurantes, compras em comércios locais, visitas a parentes e amigos, atividades culturais, entretenimento e passeios turísticos.

O gasto médio estimado foi mantido em R$ 1.100 por pessoa. O comércio e a prestação de serviços – principalmente dos setores de hotelaria e de bares e restaurantes – lucraram com a Agrishow. Em dias normais, o tíquete médio por pessoa varia de R$ 150 a R$ 200. No período da Agrishow, sobe para entre R$ 400 e R$ 450.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), uma das organizadoras do evento, os números apresentados na Agrishow 2026 são reflexo do momento que o setor atravessa, como foi apresentado em 29 de abril, quando Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implemento Agrícolas da entidade, divulgou queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre deste ano na comparação com os primeiros três meses de 2025.

“Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz.  “A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil”, diz afirma João Marchesan, presidente da feira.

“Para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vem do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, finaliza.

A feira foi realizada de 27 de abril a 1º de maio, no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste, no quilômetro 321 da Rodovia Antonio Duarte Nogueira (SP-322), o Anel Viário Sul, em Ribeirão Preto. Novecentos expositores de vários países participaram.

A Agrishow é uma iniciativa das principais entidades do agronegócio no país. São elas a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB). É organizada pela Informa Markets.



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