| Por: Adalberto Luque |
Policiais civis da região realizaram, na manhã desta terça-feira (9), uma grande operação para desarticular uma organização criminosa que aplicava o “Golpe do Falso Leilão”. A ação foi estruturada a partir de investigações que identificaram oito pessoas, cinco das quais alvos dos mandados de prisão temporária de cinco dias. A operação “Martelo Final” foi coordenada pela Delegacia de Guaíra, distante 125 km de Ribeirão Preto, que iniciou as investigações, com apoio de policiais civis de Barretos, Ribeirão Preto, Jundiaí e São Paulo.
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária de cinco dias e nove de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Dos cinco investigados que tiveram a prisão decretada, três foram localizados e presos: um homem e uma mulher em Jundiaí e um homem na zona leste da Capital. Também foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Jundiaí, São Paulo e São Bernardo do Campo.
A operação foi conduzida pela Delegacia de Guaíra, com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) de Ribeirão Preto, da 1ª Delegacia de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, e das equipes da Delegacia de Investigações Gerais e Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DIG/DISE) e da Central de Polícia Judiciária (CPJ), as três de Barretos.
Segundo o delegado Rafael Faria Domingos, de Barretos, materiais apreendidos, entre eles celulares, dispositivos eletrônicos, cartões bancários e mídias de armazenamento, serão submetidos à perícia para auxiliar no andamento das investigações. A busca pelos dois não localizados prossegue.
Origem
A investigação teve início após o registro de ocorrência de uma vítima que acreditou estar participando de um leilão promovido por uma empresa tradicional do setor. De acordo com a apuração, ela realizou uma transferência bancária após ser induzida por criminosos que utilizavam indevidamente o nome, a identidade visual e outras informações da empresa legítima.
“A investigação se iniciou a partir do registro da vítima da cidade de Guaíra, que teria sofrido prejuízo de R$ 28.500 na falsa aquisição de um veículo”, explicou o delegado, que prosseguiu. “A partir daí os investigadores conseguiram identificar 8 pessoas nesse esquema criminoso, sendo que 5 delas faziam parte do núcleo financeiro dessa organização criminosa.” Segundo Faria Domingos, esses cinco foram os alvos dos mandados autorizados pela Justiça.
As diligências apontaram que o grupo criava páginas falsas de empresas leiloeiras hospedadas em servidores no exterior e investia em anúncios pagos para dar visibilidade aos endereços fraudulentos em mecanismos de busca. O atendimento às vítimas era feito por telefone cadastrado em nome da empresa copiada, enquanto os valores recebidos eram direcionados para contas digitais e posteriormente distribuídos entre diversas contas, dificultando o rastreamento dos recursos.
A Polícia Civil informou ainda que a investigação identificou a atuação coordenada de diversos integrantes, cada um com funções específicas dentro da estrutura utilizada para aplicar os golpes.


Fique atento
A Polícia Civil alerta que o golpe costuma atrair vítimas por meio da oferta de veículos, imóveis, máquinas e outros bens com valores muito abaixo dos praticados no mercado. Para dar aparência de legitimidade, os criminosos reproduzem elementos de empresas reais, como logotipos, endereços e informações cadastrais.
Entre as orientações para evitar prejuízos estão desconfiar de preços excessivamente baixos, acessar diretamente o endereço oficial da leiloeira no navegador, verificar o registro da empresa nos órgãos competentes e confirmar dados como CNPJ, endereço e telefone por canais independentes.
Também é recomendável redobrar a atenção quando o pagamento for solicitado para pessoas ou empresas diferentes da anunciante, bem como diante de cobranças antecipadas ou pressão para concluir rapidamente a negociação.
Em caso de suspeita ou de ter sido vítima do golpe, a orientação é registrar ocorrência na Delegacia Eletrônica e comunicar o caso pelo Disque-Denúncia 181. A Polícia Civil recomenda guardar comprovantes de pagamento, registros de conversas, links e demais informações relacionadas à negociação para auxiliar nas investigações.

