Em 5 de maio, o promotor Alexandre Padilha, do Patrimônio Público e Social de Ribeirão Preto, deu 30 dias de prazo para solução de problemas
A prefeitura de Ribeirão Preto informou nesta terça-feira, 9 de junho, que o Consórcio Conecta RP zerou a fila de solicitações em atraso relacionadas à iluminação pública e segue realizando os atendimentos dentro dos prazos estabelecidos para as demais ocorrências registradas.
Segundo a prefeitura de Ribeirão Preto, a população deve registrar solicitações de manutenção da iluminação pública por meio do aplicativo Brilha Ribeirão ou pela Central de Atendimento da Conecta Ribeirão, pelo telefone 0800 002 1761.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores, criada para investigar a Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública entre a prefeitura de Ribeirão Preto e o Consórcio Conecta RP, decidiu remarcar a audiência com diretores do grupo. A sessão estava marcada para esta quarta-feira, 10 de junho, mas a empresa pediu extensão do prazo.
Segundo o presidente da CPI, Daniel Gobbi (PP), o prazo foi concedido para evitar eventual alegação do consórcio de cerceamento de defesa. Além de Gobbi, a CPI conta com a participação da relatora Perla Müller (PT) e deRangel Scandiuzzi (PSD).
O Ministério Público São Paulo (MPSP) também cobra ações para resolver os problemas da iluminação. Em 5 de maio, o promotor Alexandre Padilha, do Patrimônio Público e Social de Ribeirão Preto, se reuniu com a prefeitura e o Conecta RP para discutir a situação da PPP.
A reunião teve como objetivo discutir as falhas no serviço em função das muitas reclamações de munícipes na iluminação de ruas e avenidas da cidade. A empresa se comprometeu a corrigir falhas e atender à demanda em 30 dias, prazo imposto pelo Ministério Público de São Paulo, acordo que,segunda a prefeitura, foi cumprido
Desde que assumiu os serviços, o Consórcio Conecta já foi notificado doze vezes pela prefeitura de Ribeirão Preto por problemas no cumprimento do contrato, que prevê a modernização da iluminação pública e a troca das antigas lâmpadas pelas de led.
Em novembro do ano passado, o Ministério Público instaurou procedimento administrativo de acompanhamento (PAA) para apurar a execução do contrato assinado entre a prefeitura de Ribeirão Preto e a o Consórcio Conecta RP no âmbito da PPP da Iluminação Pública da cidade.
A manifestação do MP tem por base o relatório final da Comissão Especial de Estudos (CEE) da Iluminação Pública, instaurada na Câmara de Vereadores para apurar supostas falhas na execução de cláusulas contratuais. O documento foi entregue ao promotor Alexandre Padilha em 13 de outubro.
A CEE era formada pelo então presidente Daniel Gobbi (PP), o relator Rangel Scandiuzzi (PSD) e Matheus Moreno (MDB). O Conecta Ribeirão Preto é um consórcio constituído sob a forma de Sociedade de Propósito Específico (SPE) composto pelas empresas High Trend Brasil Serviços e Participações S.A., Proteres Participações S.A. e Green Luce Soluções Energéticas S.A.
Em 7 de julho de 2023, o Conecta Ribeirão Preto venceu o leilão da parceria público-privada, realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. O grupo deverá investir, nos próximos 13 anos, R$ 100 milhões na manutenção, ampliação e modernização da Iluminação pública da cidade. Para isso, deveria receber R$ 1.034.208,14 por mês via Taxa de Iluminação Pública paga pela população.
Atualmente, recebe da prefeitura pelos serviços de iluminação pública R$ 506 mil por mês, valor que aumentará de acordo com a realização do cronograma dos serviços, até chegar ao teto estabelecido no contrato. O valor mensal da taxa é calculado conforme a classe de consumidor e o consumo de energia elétrica indicado na fatura emitida pela CPFL Paulista.
Como havia atrasado os serviços, não estava recebendo valor integral. Em agosto, setembro outubro, novembro e dezembro do ano passado o valor repassado foi de cerca de R$ 2 milhões. Desde abril do ano passado, os clientes da CPFL Paulista em Ribeirão Preto pagam pelo novo sistema de contribuição da taxa de iluminação pública estabelecido pela lei municipal nº 3.156.
A legislação foi aprovada na Câmara de Vereadores e sancionada pelo então prefeito Duarte Nogueira (PSDB) no começo do ano passado. A lei alterou o sistema de cobrança da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP), que tinha valor fixo de R$ 11,37 por mês e que passou a ser calculado a partir do consumo de cada imóvel. Os recursos serão utilizados para o pagamento do consórcio vencedor da PPP.

