A quinta e última cirurgia para separação total das irmãs craniópagas – unidas pela cabeça – Heloísa e Helena, nascidas em São José dos Campos em janeiro de 2024 (dois anos e seis meses), no Vale do Paraíba (SP), inicialmente agendada para ocorrer na manhã deste sábado, 27 de junho, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi adiada devido ao quadro respiratório de uma das gêmeas
Segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (26) pelo neurocirurgião Jayme Adriano Farina Junior, chefe da equipe multiprofissional do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), “as crianças seguem em acompanhamento médico e nova data será definida, assim que se restabelecerem”.
“A equipe responsável pelo procedimento de separação das siamesas Heloísa e Helena comunica o adiamento da cirurgia que ocorreria neste final de semana em função de quadro respiratório não ideal de uma das gêmeas, provavelmente devido às condições climáticas dos últimos dias”, diz na nota.
Em 21 de março, as gêmeas craniópagas foram submetidas à quarta de cincos cirurgias programadas pelo Hospital das Clínicas até a separação total.
O procedimento durou cerca de seis horas para implantação de bolsas extensoras, reconstrução óssea e proteção do cérebro.
Foram implantadas duas bolsas de silicone subcutâneas (uma em cada gêmea) com o objetivo de expandir progressivamente a área total de pele que será utilizada para recobrir o topo das cabeças na última cirurgia. As meninas estão sob cuidados da equipe no HC Criança.
O procedimento foi o último antes da cirurgia de separação total das irmãs siamesas. A terceira operação ocorreu em 28 de fevereiro e durou sete horas. As equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, sob o comando do professor doutor Jayme Farina Jr., já conseguiram separar 75% dos cérebros e dos vasos sanguíneos.
O objetivo da equipe, composta por mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, é a separação completa ao final de uma série de cinco cirurgias ano. Segundo Jayme Farina, a implantação dos expansores foi necessária porque não há pele suficiente para o fechamento dos crânios.
“São bolsas de silicone que colocamos vazias, com uma válvula embaixo da pele. Semanalmente, a gente injeta soro fisiológico nessas válvulas, e elas vão enchendo com esse líquido. Isso vai permitindo a expansão da pele, fazendo uma analogia com o abdômen de uma gestante, que vai aumentando. É semelhante”, disse á época.
“Essa expansão é progressiva até a a separação total dos corpos”. O procedimento foi minuciosamente planejado ao longo de mais de um ano, com realização de projeções de realidade virtual e exames de imagem, como tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, além da impressão de vários modelos em 3D.
A primeira cirurgia foi realizada em 23 de agosto de 2025, durou oito horas e foi bem sucedida, atingindo 25% da meta, segundo a equipe médica do Hospital das Clínicas. A segunda ocorreu em 8 de novembro, durou cerca de dez horas e atingiu mais 25%. Foram feitas incisões cutâneas no lado oposto aos cortes efetuados em agosto, para ligamento dos vasos sanguíneos.
Os pais de Heloísa e Helena, Amarildo Batista da Silva e Claldilene Aparecida dos Santos, estão morando provisoriamente em Ribeirão Preto, onde permanecerão até a separação do total das meninas e também no pós-operatório, no período de reabilitação
Este é o terceiro caso de gêmeas siamesas craniópagas do hospital. A incidência é extremamente rara, representando um caso em cada 2,5 milhões de nascimentos. No Brasil, a primeira separação de siamesas craniópagas, as gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, ocorreu em outubro de 2018. Focam cinco procedimentos cirúrgicos realizados pela equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e HC Criança.
Hoje as meninas estão com nove anos e voltaram para Patacas, distrito de Aquiraz, distante 35 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, onde nasceram, no final de março de 2019. Vivem com os pais Diego Freitas Farias e Débora Freitas.
Nos Estados Unidos, uma cirurgia de separação de siamesas craniópagas custa cerca de R$ 9 milhões. O primeiro do HC de Ribeirão Preto, e também pioneiro no Brasil, caso foi acompanhado pelo médico norte-americano James Goodrich, referência internacional em intervenções com gêmeos siameses e que faleceu e m decorrência de covid-19 em 2020.
O segundo caso foi o das irmãs siamesas craniópagas Allana e Mariah, hoje com cinco anos e oito meses. A cirurgia definitiva ocorreu entre 19 e 20 de agosto de 2023. Elas são de Piquerobi (SP), onde mora com os pais Vinícius e Talita Cestari. No ano passado ainda vinham à cidade para consultas e exames de rotina no HC Criança.
Em 2023, a quarta e última neurocirurgia teve início às sete horas do dia 19 de agosto e durou cerca de 27 horas. Na manhã do dia 20, as meninas foram separadas. Foram inseridas bolsas de silicone abaixo do couro cabeludo das irmãs.
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