Por Hugo Luque
Não foi fácil, mas o Brasil bateu a disciplinada equipe do Japão por 2 a 1, nesta segunda-feira (29), em Houston, nos Estados Unidos, pela segunda fase da Copa do Mundo. Casemiro e Martinelli marcaram os gols da dramática vitória que garantiu a seleção nas oitavas de final.
Pela primeira vez desde que assumiu o comando da Amarelinha, Carlo Ancelotti repetiu uma escalação em duas partidas consecutivas. Na esperança de uma atuação tão boa quanto na última rodada da fase de grupos, contra a Escócia, o técnico italiano apostou novamente em Rayan na ponta direita e Matheus Cunha no comando do setor ofensivo.
O adversário, no entanto, tem mais qualidade do que os escoceses. O Brasil começou o jogo nervoso, com a obrigação de subir para o ataque e com algum medo dos fortes contra-ataques japoneses.
Os asiáticos posicionaram um bloco baixo em frente à área e viram o goleiro Zion Suzuki se tornar, aos poucos, o principal personagem do confronto. Sem conseguir invadir a área adversária, a seleção passou a apostar nos cruzamentos.
A estratégia asiática, marcada por disciplina tática, velocidade na transição e eficiência ofensiva, funcionou aos 29 minutos do primeiro tempo. O lateral-direito Danilo teve passe interceptado por Kaishu Sano, na intermediária. O jogador arrancou pelo corredor central e, de fora da área, finalizou no canto de Alisson para abrir o placar.
A retranca japonesa ficou ainda mais intensa, e o Brasil demonstrou nervosismo. Casemiro, no meio-campo, fez uma péssima primeira etapa.
Ancelotti voltou do vestiário com Endrick, que tinha como missão colocar “fogo” no jogo. Com a entrada do atacante no lugar de Lucas Paquetá, que sentiu dores na etapa inicial, a formação foi alterada para 4-2-4.
No mata-mata, não há tempo a perder. Atrás no placar, a seleção foi com tudo para cima, mas pecava nas finalizações. Eram muitos cruzamentos e tentativas frustradas de jogadas individuais, sobretudo a partir dos pés de Vinícius Júnior.
Casemiro passou a apoiar mais o ataque e, aos oito minutos, teve gol tirado em cima da linha por Tomiyasu. Mas não deu tempo de lamentar. No lance seguinte, em mais um cruzamento, o volante recebeu cruzamento de Gabriel Magalhães e, desta vez, colocou a bola no fundo da rede. Alívio verde e amarelo.
O conjunto brasileiro continuou em cima. Vini Jr. fez linda jogada individual, aos 12, mas parou na trave. O Japão, cada vez mais acuado e receoso de levar a virada, fazia cada vez menos investidas no ataque, todas com quatro ou menos jogadores. Ao todo, foram apenas cinco finalizações japonesas contra 20 do Brasil.
Aos 21, Ancelotti tirou o apagado Matheus Cunha e colocou Martinelli. Foi o jogador do Arsenal que deu a emocionante vitória à seleção, já nos acréscimos. Depois de muita pressão, Rayan robou a bola no ataque e passou para Bruno Guimarães, na entrada da área. O volante ajeitou o corpo e deixou o camisa 22 em excelente posição para chutar de pé direito. A bola ainda beijou a trave antes de entrar, no lance que evitou a prorrogação e colocou a Canarinho nas oitavas.
Na próxima fase, a seleção brasileira enfrenta o vencedor do duelo entre Costa do Marfim e Noruega, domingo, às 17h (de Brasília), em Nova Jersey, Estados Unidos. Africanos e europeus batalham nesta terça-feira, às 14h, em Arlington, também nos Estados Unidos.
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