As hepatites estão entre as condições que mais preocupam os especialistas quando o assunto é a saúde do fígado. Neste mês, a campanha Julho Amarelo chama a atenção para as hepatites virais.
Embora o termo seja frequentemente associado às infecções causadas por vírus, a inflamação do órgão também pode ter outras origens, como o uso de medicamentos, consumo excessivo de álcool, esteroides anabolizantes e até a obesidade.
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O médico infectologista Luis Felipe Visconde, do Hospital Ribeirânia, em Ribeirão Preto, hepatite é um termo amplo que engloba diferentes causas.
“A gente chama de hepatite todo aquele processo que leva por alguma razão infecciosa ou não a uma inflamação do fígado. Nós temos várias causas de hepatites, algumas sim infecciosas e também outras causas”, disse.
Hepatites virais preocupam mais
As hepatites virais, segundo o especialista, merecem uma atenção especial devido ao risco de evolução para formas crônicas, capazes de comprometer permanentemente o funcionamento do fígado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 304 milhões de pessoas no mundo vivem com hepatites B ou C. No Brasil, mais de 800 mil casos de hepatites virais e 45 mil óbitos associados aos tipos A, B, C e D foram confirmados entre os anos 2000 e 2024, de acordo com o Boletim Epidemiológico Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde.
“Quando nós falamos das hepatites, as virais nos preocupam um pouco mais porque elas têm uma capacidade, alguns vírus específicos, de cronificarem, isso é, gerar um processo inflamatório que persiste por um tempo muito prolongado e essa inflamação recorrente por um tempo prolongado pode fazer com que o fígado entre num estado chamado cirrose hepática, uma condição em que o fígado tem uma injúria crônica, ele ser machucado cronicamente e nesse processo de tentativa de reparação, vai perdendo as suas funções e vai tendo alterações na sua estrutura e chega num ponto em que torna-se ineficiente para realizar as suas diversas funções dentro do nosso organismo”, explica.
O infectologista destaca que algumas hepatites têm cura, enquanto outras ainda dependem principalmente da prevenção para reduzir o número de casos.
“Essa é a maior preocupação que a gente tem em relação às hepatites virais. Algumas delas são passíveis de cura. Hepatite C, por exemplo, é uma que a gente consegue curar. A hepatite A é uma forma que muitas vezes tem uma resolução, uma cura espontânea, mas algumas outras hepatites a gente ainda não tem tecnologias de saúde para promover uma cura efetiva, embora tenhamos estratégias de prevenção”, diz.
Conforme o especialista, entre essas estratégias, a vacinação tem papel importante, especialmente contra as hepatites A e B.
“Hepatite B a gente sabe que tá muito associada com exposição a fluidos corporais contendo sangue contaminado. Então, a gente sempre lembra da questão de tatuagem, procedimentos cirúrgicos, naturalmente que os hospitais hoje evoluíram muito para evitar isso, mas o mais importante, hepatite B é passível da gente prevenir, ela tem vacina, inclusive faz parte do calendário do SUS [Sistema Único de Saúde]. O mesmo vale para hepatite A, é uma forma de hepatite viral passível de ser prevenida por vacina”, diz.
Além da vacinação, outros cuidados ajudam a prevenir as hepatites, como o uso de preservativos, evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes e procurar assistência médica diante de qualquer sintoma suspeito.
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Saiba mais sobre as hepatites virais
- Hepatite A – Uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite transmitido principalmente pela via fecal-oral, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno, contudo o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade;
- Hepatite B – Um dos cinco tipos de hepatite existentes no Brasil. transmissão ocorre por meio do contato com sangue ou outros fluidos corporais infectados. Entre 2000 e 2023, 36,8% dos casos confirmados de hepatites virais no Sinan são referentes à hepatite B. Trata-se da segunda maior causa de morte entre as hepatites virais, tendo sido responsável por 21,7% dos óbitos relacionados a essas doenças entre 2000 e 2022 (Boletim Epidemiológico, 2024);
- Hepatite C – Um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. Sua principal forma de transmissão é pelo contato com sangue contaminado, geralmente por compartilhamento de agulhas e seringas. A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado;
- Hepatite D – Também chamada de Delta, é causada pelo vírus HDV. Esse vírus depende da presença da infecção pelo vírus HBV (hepatite B) para infectar um indivíduo. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção do HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato com sangue ou fluidos corporais contaminados;
- Hepatite E – Uma infecção causada pelo vírus E (HEV). O vírus causa hepatite aguda de curta duração e autolimitada, sendo, na maioria dos casos, uma doença de caráter benigno. Entretanto, ocasionalmente, é possível desenvolver hepatite fulminante no paciente, que pode ser fatal.
Fonte: Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
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