CPI investiga venda do Palestra Itália

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A Câmara de Vereadores vai instalar Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos, circunstâncias, procedimentos, legalidade, transparência e eventual responsabilidade relacionados à venda do Clube Palestra Itália de Ribeirão Preto. A iniciativa partiu de Rangel Scandiuzzi (PSD).

O requerimento que autorizou a instalação da comissão foi aprovado na sessão de quarta-feira, 8 de julho. Na próxima semana serão definidos outros dois vereadores que integrarão a CPI – terá prazo inicial de 120 dias de duração, com possibilidade de prorrogação.

O clube foi vendido, recentemente, por R$ 6,75 milhões para as construtoras DZ Empreendimentos Imobiliários, de São Paulo, e Golden Business, de Ribeirão Preto. A compra foi anunciada no dia 30 de junho e prevê o pagamento a vista de R$ 2 milhões e o restante em 30 parcelas mensais no valor de R$ 157,5 mil cada, com correção inflacionária.

Ao anunciar a compra, os empreendedores disseram que o clube deverá ser revitalizado. No documento que criou a CPI, Rangel Scandiuzzi afirma que um dos objetivos será investigar porque o tombamento provisório do Palestra Itália como Patrimônio Histórico e Cultural, feito em 2024 pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac), foi anulado em abril deste ano pelo próprio colegiado.

Na ocasião, o presidente, do Palestra Itália, Ruy Gianota, pediu, por meio de oficio, que a prefeitura de Ribeirão Preto e o Conppac tombassem o imóvel. A CPI também quer aber se o processo obedeceu rigorosamente às normas de preservação do patrimônio histórico, cultural e arquitetônico.

Por fim, vai analisar eventual conflito de interesses, desvio de finalidade, vício procedimental ou qualquer outra irregularidade administrativa relacionada aos processos de venda e de destombamento do imóvel. O Tribuna conversou com o ex-presidente do Conppac, o advogado Lucas Gabriel Pereira, responsável pelo colegiado na época do tombamento e do destombamento.

Lucas Gabriel afirmou que todos os procedimentos seguiram integralmente a legislação e estão nos autos do processo. A reportagem não conseguiu localizar, até o fechamento desta edição, a atual presidente do Conppac, Natália Barbosa Hetem, eleita para o cargo no dia 29 de junho.

Localizado na rua Padre Euclides, nos Campos Elíseos, Zona Norte, o clube tem um quarteirão de extensão, o equivalente a 19 mil metros quadrados de área. Abrange ainda as ruas Capitão Salomão e Sergipe. Conta com sala para hidromassagem, piscinas, campos de futebol, bar, área externa infantil e salão de festas.

Em seu auge, nas décadas de 1970 e 1980, chegou a ter oito mil sócios, mas em 2024 tinha apenas 500, somando contribuintes e aqueles com títulos remidos. A agremiação marcou a história do município por ter sido o principal ponto de encontro e lazer para as famílias de operários que atuavam nas indústrias locais ao longo do século passado.

O Palestra Itália enfrentava graves problemas financeiros. Entre eles, débitos com funcionários que foram dispensados durante o período de decadência do clube entre 2007 e 2009. Em 2021, quando teve seu patrimônio avaliado em R$ 17 milhões, foi colocado a leilão por duas vezes pela Justiça de Ribeirão Preto para quitação das dívidas fiscais e trabalhistas. Entretanto, na época, não houve interessados.

Em 2024, o presidente Ruy Gianota chegou a pedir, por meio de oficio, que a prefeitura de Ribeirão Preto e o Conppac tombassem o clube como patrimônio histórico e cultural. Na época, o tombamento provisório chegou a ser feito, mas o processo não prosseguiu, a decisão foi revista e anulada pelo próprio colegiado.

O clube, fundado em 1917 por imigrantes italianos, tem valor histórico para a cidade e para os descendentes de trabalhadores que vieram da Itália para fugir da guerra e da fome. Em 23 de novembro de 1964, o então prefeito Welson Gasparini (Arena, na época) deu ao Palestra o título de utilidade pública municipal.

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Texto original daqui