Carreata com homenagem ao motorista de aplicativo, vítima de latrocínio em Ribeirão Preto, saiu com destino a Sertãozinho onde vítima foi enterrada na tarde deste sábado (18)
Uma última homenagem para o motorista de aplicativo, José Edson da Silva, de 43 anos, foi realizada na tarde deste sábado (18) por familiares, amigos e colegas de profissão em Sertãozinho. A carreata até o velório foi marcada pelos aplausos, buzinaços e pedidos de justiça de pessoas quem ainda tentam entender a tragédia que abalou a região.
José Édson foi roubado e morto por três adolescentes, de 13, 14 e 16 anos, após solicitarem uma corrida por um aplicativo para o complexo Ribeirão Verde, em Ribeirão Preto, na última terça-feira (14). Os jovens confessaram à polícia que solicitaram a corrida para roubarem o carro do motorista, mas no trajeto imobilizaram a vítima com um golpe do tipo mata-leão e depois abandonaram o corpo dele no Rio Pardo, também no bairro Ribeirão Verde.
Na tarde da última sexta-feira (17), o corpo do motorista foi encontrado pelas equipes dos bombeiros no local indicado pelos adolescentes e depois foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) para saber se ele morreu por causa do golpe aplicado pelos adolescentes ou se afogado porque a polícia suspeita que o motorista possa ter sido jogado ainda vivo no rio.
Os três adolescentes foram encaminhados à Fundação Casa e como são menores de 18 anos, não respondem por crime, mas por ato infracional análogo a latrocínio, que é o roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver.
De acordo com o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), André Baldochi, o adolescente de 13 anos teria chamado o carro por um aplicativo usando a conta do padrasto e no trajeto após o embarque, houve o anúncio do roubo. Além disso, a suspeita da polícia é de que o jovem de 16 anos tenha aplicado um mata-leão na vítima.
Os adolescentes ainda usaram os cartões da vítima após o crime e um dos pagamentos, segundo o delegado, foi em um posto de combustíveis onde abasteceram o veículo do motorista.
A corrida
Ainda de acordo com Baldochi, a corrida chamada pelos três adolescentes começou em uma rua do Jardim Salgado Filho, Zona Norte de Ribeirão Preto.
O destino era um restaurante a aproximadamente 600 metros de distância, mas no meio do caminho os passageiros teriam indicado um ponto de parada. O trecho do Rio Pardo em que o corpo foi deixado fica a menos de cinco quilômetros da região.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) informou que o caso corre em segredo de Justiça. José Edson trabalhava cadastrado como motorista da 99. Em nota, a empresa lamentou o caso e disse que se solidariza com a família.
“Assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, uma equipe especializada foi designada e busca contato com familiares do José Edson da Silva para oferecer acolhimento e informações para o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias. A empresa segue à disposição para colaborar com as autoridades, se necessário”, diz o texto.

O motorista
José Edson era evangélico e casado há 15 anos com a auxiliar de cozinha, Cristiane Ferreira dos Santos, com quem tinha dois filhos de 11 e 13 anos. Há três anos trabalhava como motorista de aplicativo para aumentar a renda da família.
A cunhada, Rosângela Ferreira dos Santos, conta que na época da safra de cana-de-açúcar ele também atuava em usinas na região em vagas abertas temporariamente.
A parente afirma que os filhos, principalmente o mais novo, eram muito apegados ao pai e desde o desaparecimento a família tentou disfarçar a gravidade da situação para os dois meninos.
Rosângela também disse que a família temia pela segurança dele, desde que começou a fazer corridas em Ribeirão Preto.
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