A discussão sobre a escala 6×1 pode levar o setor de supermercados a defender novos formatos de jornada para facilitar a contratação de jovens.
Em entrevista ao acidade on, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (APAS), Erlon Ortega, afirmou que o setor precisa de alternativas aos modelos fixos de trabalho e defendeu a chamada jornada livre, com diferentes cargas horárias e direitos trabalhistas proporcionais ao período trabalhado.
Segundo Ortega, a proposta permitiria jornadas de 30, 40, 44 ou 50 horas semanais, de acordo com a disponibilidade do trabalhador. A avaliação da entidade considera principalmente as mudanças no perfil dos jovens, que, segundo o presidente da APAS, buscam conciliar emprego, estudos, empreendedorismo e outras atividades profissionais.

A defesa da jornada livre acontece em um cenário de dificuldade para preencher vagas nos supermercados, principalmente em funções operacionais como operador de caixa, repositor, açougueiro e padeiro.
Jornada livre como alternativa à escala 6×1
Erlon Ortega afirma que o setor precisa considerar mudanças no perfil dos trabalhadores, principalmente entre os jovens. Na avaliação dele, parte desse público busca conciliar diferentes atividades profissionais, estudos e outras formas de geração de renda.
“O jovem quer liberdade. Ele quer ser empreendedor pela manhã, trabalhar no supermercado à tarde, trabalhar de motorista de aplicativo à noite ou estudar durante a semana e trabalhar no fim de semana”, afirmou Ortega ao acidade on.
A proposta da entidade também inclui a possibilidade de contratação por hora. O objetivo, segundo o presidente da APAS, é oferecer mais opções de jornada sem retirar os direitos trabalhistas previstos na legislação.
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Supermercados enfrentam dificuldade para contratar
A falta de mão de obra concentra-se principalmente nas atividades realizadas dentro das lojas. Entre as funções citadas pela APAS estão operador de caixa, repositor, açougueiro e padeiro.
Segundo Ortega, as dificuldades aparecem principalmente na operação dos supermercados, enquanto as áreas administrativas enfrentam menos problemas para preencher vagas.
“A dificuldade não está no escritório, não está no back office, não está na parte administrativa. Está mais na operação da loja”, afirmou.

O presidente da APAS relaciona parte desse cenário à mudança nas expectativas dos jovens em relação ao trabalho. Segundo ele, muitos buscam maior flexibilidade e alternativas ao modelo tradicional de emprego.
E-commerce muda dinâmica dos supermercados
A entrevista também abordou os impactos do comércio eletrônico no setor supermercadista. Segundo Ortega, os supermercados que mantêm seus próprios canais de venda conseguem oferecer ao consumidor uma estrutura definida para reclamações, trocas e problemas relacionados aos produtos.
A situação, segundo ele, exige atenção quando marketplaces comercializam produtos de terceiros. Ortega cita principalmente alimentos, bebidas e medicamentos como categorias que demandam fiscalização.
O presidente da APAS defende a atuação de órgãos como Procon e Vigilância Sanitária para acompanhar a comercialização desses produtos em plataformas digitais.
“O crescimento do e-commerce trouxe novas oportunidades, mas também exige mais responsabilidade na fiscalização dos produtos vendidos”, afirmou Ortega.
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