A influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida como “Esquerdogata”, prestou depoimento à Justiça nesta terça-feira (11) sobre a abordagem policial que terminou em sua prisão, em outubro de 2025, no Centro de Ribeirão Preto.
Durante o depoimento, Aline admitiu ter sido impulsiva, reconheceu que tentou “dar uma carteirada” nos policiais e afirmou se envergonhar de parte das declarações feitas aos agentes.
Ela também disse que estava alcoolizada e que, na época, misturava bebidas com medicamentos psiquiátricos.
@acidadeonribeiraopreto A influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida como “Esquerdogata”, prestou depoimento à Justiça nesta terça-feira sobre a abordagem policial que terminou em sua prisão, em outubro de 2025, em Ribeirão Preto. Durante o depoimento, Aline admitiu ter sido impulsiva, reconheceu que tentou “dar uma carteirada” nos policiais e afirmou se envergonhar de parte das declarações feitas aos agentes. Ela também disse que estava alcoolizada e que, na época, misturava bebidas com medicamentos psiquiátricos. O depoimento aconteceu durante a audiência de instrução do processo em que ela responde pelos crimes de desacato, resistência e injúria racial contra policiais militares. Com o depoimento, foi encerrada a fase de produção de provas. Isso significa que a etapa destinada a ouvir testemunhas, reunir provas e interrogar a ré chegou ao fim. Agora, o processo entra na fase das alegações finais. Saiba mais no site acidadeon.com/ribeiraopreto #acidadeon #fiqueon #ribeiraopreto ♬ som original – acidade on Ribeirão Preto
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Influenciadora contesta versão dos policiais
A influenciadora começou o depoimento contestando a versão apresentada pelos policiais sobre o que teria motivado sua aproximação. Segundo Aline, ela estava voltando de um bar e indo para casa quando encontrou os agentes perto de uma pessoa em situação de rua.
“Eu não fui atrás de nada. Eu estava indo para a minha casa, quando eu percebo que existe uma pessoa em situação de rua. Não tinha moto nenhuma. Eu não estou mentindo, jamais mentiria para a Justiça. Não tinha moto nenhuma”, afirmou.
Esquerdogata ainda contou que decidiu pegar o celular e filmar porque havia se lembrado de outro episódio envolvendo uma pessoa em situação de rua e policiais.
“Quando eu vejo o carro da polícia ao lado dessa pessoa em situação de rua, eu me atento a um fato que havia ocorrido duas semanas antes, onde uma pessoa nessa mesma situação, que estava dormindo, foi abordada por policiais e foi morta. Aquilo acendeu na minha cabeça um alerta: ‘Deixa eu filmar essa ação para ela não terminar como terminou a outra’.”

Esquerdogata explica fala dirigida a policial
Durante o depoimento, Aline também foi questionada sobre declarações dirigidas aos agentes. Ao falar sobre referências à raça de um dos policiais, afirmou que sua intenção era fazer uma associação com a ideia de que integrantes de grupos minoritários deveriam se apoiar.
“Quando eu falo de um negro [ofensa] negro, eu não estou tirando do policial negro o poder ou a importância dele dentro de uma corporação. Eu estou me referindo, na minha cabeça, ao fato acontecido semanas antes”, disse.
A influenciadora também reconheceu que estava embriagada e que poderia ter se expressado de outra maneira. “Naquele momento eu fui muito impulsiva, muito impulsiva. Eu poderia ter usado outras palavras.”
Esquerdogata também foi questionada sobre comentários relacionados à origem e à condição social dos policiais. Ela afirmou que pretendia fazer uma crítica de classe, mas reconheceu o caráter classista de parte de suas próprias declarações.
“Eu tentei dar uma carteirada porque eu já fui humilhada pela polícia […] naquele momento, tudo que eu quis foi, de fato, dar uma carteirada que eu nem tinha e acabei usando um classismo que, de fato, eu nem tenho, porque a minha situação financeira é muito próxima da situação financeira de um policial”, disse.
‘Eu misturava com álcool’
Em outro trecho do depoimento, a influenciadora afirmou que, depois da prisão, percebeu que havia perdido o controle sobre as próprias ações e procurou tratamento.
“Logo depois desse episódio, onde eu percebi que eu perdi o controle totalmente da minha vida, das minhas ações, eu me internei numa clínica psiquiátrica em Sorocaba, onde eu fiquei 65 dias.”
Questionada pela defesa, esquerdogata afirmou que, naquele período, não fazia acompanhamento psiquiátrico de maneira adequada e alterava por conta própria a quantidade dos medicamentos que tomava.
“Eu estava num momento muito conturbado. Eu estava tomando medicações sem fazer as consultas psiquiátricas periódicas. Então eu sentia a necessidade de aumentar um Rivotril para dormir à noite, eu aumentava. Eu sentia ansiedade, eu aumentava sertralina e, no meio disso tudo, eu misturava com álcool. Então estava tudo descontrolado mesmo.”
Aline afirmou ainda que está sem beber desde o episódio e declarou durante o interrogatório que também tem diagnóstico de transtorno bipolar.
Um laudo de sanidade mental produzido durante o processo apontou dependência de álcool e transtorno de personalidade emocionalmente instável. A perícia concluiu que a intoxicação por álcool, associada a características de impulsividade e reatividade, prejudicou a capacidade de autodeterminação da influenciadora no momento dos fatos.

Depoimento encerrou fase de produção de provas
O depoimento aconteceu durante a audiência de instrução do processo em que ela responde pelos crimes de desacato, resistência e injúria racial contra policiais militares.
Com o depoimento, foi encerrada a fase de produção de provas. Isso significa que a etapa destinada a ouvir testemunhas, reunir provas e interrogar a ré chegou ao fim.
Agora, o processo entra na fase das alegações finais. O Ministério Público e a defesa terão a oportunidade de apresentar suas conclusões sobre as provas produzidas e defender, respectivamente, suas posições no processo.
Em nota, o advogado Douglas Marques, que defende a influenciadora esquerdogata, afirmou que a audiência reforçou a tese de absolvição.
“A Defesa de Aline informa que a fase de produção de provas foi encerrada com a audiência de instrução e vê como satisfatória, para a acusada, a prova produzida em Juízo, que reforça a convicção defensiva quanto à ausência de elementos capazes de configurar os crimes pelos quais foi acusada.”

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