Casal condenado por tortura em clínica de Ribeirão Preto é preso em Portugal

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A advogada Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e o ex-marido Djalma Antônio Henares Júnior, de 56, foram presos em Portugal após uma condenação por tortura contra internos de uma clínica de reabilitação que mantinham em Ribeirão Preto. O caso começou em 2014 e chegou ao fim após 12 anos de tramitação judicial.

Entenda

As prisões aconteceram em julho de 2026, cerca de um mês após o processo transitar em julgado no Brasil. Com o fim das possibilidades de recurso, a Justiça expediu os mandados de prisão, e o casal entrou na lista de procurados da Interpol.

A defesa dos dois informou que não irá se manifestar sobre as prisões e a condenação.

Foto: Reprodução/EPTV

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Condenação

A Justiça condenou Marluci e Djalma a 17 anos e seis meses de prisão por tortura. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou as sentenças após o processo tramitar por 12 anos.

Segundo o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, que acompanha o caso desde o início, 24 ex-internos prestaram depoimento e relataram agressões físicas, uso de pedaços de madeira e violência sexual.

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Foto: Reprodução/EPTV

Por se tratar de condenação por crime hediondo, o casal deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.

“Eles não têm possibilidade de iniciar o cumprimento dessa pena em regime aberto ou semiaberto. Obrigatoriamente é fechado e assim eles deverão cumprir pelo menos dois terços da pena para posteriormente progredir ao semiaberto”, explicou o promotor.

O Ministério Público de Ribeirão Preto solicitou a extradição dos dois para que cumpram a pena no Brasil.

Investigações

As investigações começaram em agosto de 2014, quando o Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica localizada no bairro Recreio das Acácias, em Ribeirão Preto.

Na época, internos relataram sessões de espancamento com pedaços de madeira, agressões físicas e castigos humilhantes.

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Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes. — Foto: AcervoEP

Um dos pacientes afirmou que os responsáveis o obrigaram a cavar o próprio buraco, no qual permaneceu enterrado até a cintura, e a caminhar nu diante dos demais internos como forma de “disciplina”.

Durante a operação, as autoridades apreenderam cordas e pedaços de madeira que, segundo as investigações, eram utilizados nos maus-tratos.

Prisões em Portugal

Marluci e Djalma deixaram o Brasil no início do processo judicial, antes que a Justiça expedisse mandados de prisão, e passaram a viver em Portugal.

Marluci trabalhava como professora de zumba na região autônoma dos Açores.

Após a conclusão do processo, em junho de 2026, a Justiça brasileira expediu os mandados de prisão. Como o casal estava no exterior, as autoridades incluíram os nomes dos dois na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.

A polícia portuguesa prendeu Djalma em 9 de julho e Marluci em 17 de julho.

Extradição

Após as prisões, o Ministério Público de Ribeirão Preto solicitou a extradição do casal para que os dois sejam transferidos ao sistema prisional brasileiro.

Segundo Aroldo Costa Filho, o período de prisão cumprido em Portugal será considerado no cálculo da pena.

O pedido de extradição ainda segue os trâmites jurídicos e diplomáticos entre Brasil e Portugal.

Com informações do G1


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