Médica condenada por tortura em clínica de Ribeirão Preto entra na lista da Interpol

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A médica de Sertãozinho que fugiu após ter sido condenada a 17 anos de prisão por tortura em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto entrou na lista de procurados da Interpol. A psiquiatra Maria Teresa Cabrera Belini está foragida há mais de dois meses.

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Ela era sócia-proprietária da clínica, que ficava no Recreio das Acácias, junto com a irmã e o cunhado — o casal foi preso em Portugal na semana passada, e o pedido de extradição já foi realizado. Os crimes aconteceram em 2014.

Médica tinha conhecimento, diz MP

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) afirma que Maria Teresa tinha conhecimento de tudo o que ocorria na clínica, além de intimidar os pacientes para que não relatassem as agressões aos familiares.

O promotor Aroldo Costa Filho disse em entrevista à EPTV que a psiquiatra era responsável por receitar e ministrar os medicamentos utilizados nos pacientes internados.

“Os relatos são de que os medicamentos ficavam na mão dos monitores, que, aleatoriamente, utilizavam essa medicação para acalmar os internos. Ou seja, não havia nenhum tipo de controle”, afirmou.

O promotor complementa que os pacientes relatavam as agressões durante as consultas com Maria Teresa, mas ela não tomava providências.

Outro lado

A defesa de Maria Teresa não quis se manifestar sobre o caso.

Ficou sabendo?

Casal condenado por tortura em clínica de Ribeirão Preto é preso em Portugal

advogada Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e o ex-marido Djalma Antônio Henares Júnior, de 56, foram presos em Portugal após uma condenação por tortura contra internos de uma clínica de reabilitação que mantinham em Ribeirão Preto. O caso começou em 2014 e chegou ao fim após 12 anos de tramitação judicial.

Entenda

  • Condenação
  • Investigações
  • Prisões em Portugal
  • Extradição

As prisões aconteceram em julho de 2026, cerca de um mês após o processo transitar em julgado no Brasil. Com o fim das possibilidades de recurso, a Justiça expediu os mandados de prisão, e o casal entrou na lista de procurados da Interpol.

A defesa dos dois informou que não irá se manifestar sobre as prisões e a condenação.

Foto: Reprodução/EPTV


Condenação

A Justiça condenou Marluci e Djalma a 17 anos e seis meses de prisão por tortura. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou as sentenças após o processo tramitar por 12 anos.

Segundo o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, que acompanha o caso desde o início, 24 ex-internos prestaram depoimento e relataram agressões físicas, uso de pedaços de madeira e violência sexual.

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Foto: Reprodução/EPTV

Por se tratar de condenação por crime hediondo, o casal deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.

“Eles não têm possibilidade de iniciar o cumprimento dessa pena em regime aberto ou semiaberto. Obrigatoriamente é fechado e assim eles deverão cumprir pelo menos dois terços da pena para posteriormente progredir ao semiaberto”, explicou o promotor.

O Ministério Público de Ribeirão Preto solicitou a extradição dos dois para que cumpram a pena no Brasil.

Investigações

As investigações começaram em agosto de 2014, quando o Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica localizada no bairro Recreio das Acácias, em Ribeirão Preto.

Na época, internos relataram sessões de espancamento com pedaços de madeira, agressões físicas e castigos humilhantes.

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Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes. — Foto: AcervoEP

Um dos pacientes afirmou que os responsáveis o obrigaram a cavar o próprio buraco, no qual permaneceu enterrado até a cintura, e a caminhar nu diante dos demais internos como forma de “disciplina”.

Durante a operação, as autoridades apreenderam cordas e pedaços de madeira que, segundo as investigações, eram utilizados nos maus-tratos.

Prisões em Portugal

Marluci e Djalma deixaram o Brasil no início do processo judicial, antes que a Justiça expedisse mandados de prisão, e passaram a viver em Portugal.

Marluci trabalhava como professora de zumba na região autônoma dos Açores.

Após a conclusão do processo, em junho de 2026, a Justiça brasileira expediu os mandados de prisão. Como o casal estava no exterior, as autoridades incluíram os nomes dos dois na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.

A polícia portuguesa prendeu Djalma em 9 de julho e Marluci em 17 de julho.

Extradição

Após as prisões, o Ministério Público de Ribeirão Preto solicitou a extradição do casal para que os dois sejam transferidos ao sistema prisional brasileiro.

Segundo Aroldo Costa Filho, o período de prisão cumprido em Portugal será considerado no cálculo da pena.

O pedido de extradição ainda segue os trâmites jurídicos e diplomáticos entre Brasil e Portugal.

Com informações do G1 e EPTV

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