Imagens registram pessoas correndo antes de uma massa de água, lama e rochas atingir estruturas e arrastar veículos; desastre deixou ao menos 22 mortos no Nepal
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que uma enxurrada de água, lama e rochas atingiu o posto fronteiriço de Gyirong, no Tibete, região autônoma da China, na manhã desta quarta-feira (26).
O vídeo mostra pessoas correndo para deixar o local segundos antes da chegada da enxurrada. Em seguida, a corrente invade a área, destrói construções e arrasta caminhões, ônibus e outros veículos estacionados.
Apesar de ser chamado de porto de Gyirong, o local é uma passagem terrestre e aduaneira estratégica entre a China e o Nepal. O posto fica no condado de Gyirong, na região de Shigatse, próximo ao distrito nepalês de Rasuwa.
A agência estatal chinesa Xinhua informou que o desastre provocou mortos, feridos e desaparecidos, mas as autoridades chinesas ainda não divulgaram um balanço detalhado. As estradas de acesso ao posto foram interrompidas e houve cortes no fornecimento de energia elétrica e nos sistemas de comunicação.
Ao menos 22 mortos no Nepal
A mesma enxurrada provocou inundações repentinas no Nepal e atingiu comunidades próximas ao rio Bhote Koshi, principalmente nos distritos de Rasuwa e Nuwakot.
Até o fechamento desta edição, ao menos 22 mortes haviam sido confirmadas e 384 viajantes estavam sem contato, segundo informações das autoridades nepalesas. Entre eles estavam 291 estrangeiros e 93 nepaleses. O número não representa necessariamente pessoas arrastadas pela água, pois as comunicações foram interrompidas e as equipes ainda tentavam localizar os viajantes.
Entre os estrangeiros desaparecidos estavam turistas da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, África do Sul, Austrália e Holanda.
O Exército nepalês informou que 88 pessoas haviam sido resgatadas. Treze foram encaminhadas para atendimento hospitalar em Katmandu. Equipes também procuravam policiais, funcionários da alfândega e trabalhadores de uma usina hidrelétrica que permaneciam sem contato.
As operações mobilizaram militares, policiais e helicópteros, mas o mau tempo e as dificuldades de acesso à região montanhosa prejudicavam os trabalhos.
Casas, mercados, estradas, pontes e projetos de geração de energia foram destruídos ou danificados. Segundo o governo nepalês, aproximadamente 430 megawatts da capacidade de produção de energia do país foram afetados, principalmente em instalações hidrelétricas.
Causa ainda é investigada
A causa exata do desastre ainda não foi determinada. Uma avaliação preliminar indica que uma avalanche de rochas e gelo pode ter bloqueado o rio Lhende Khola, no Nepal. O rompimento dessa barreira teria liberado repentinamente um grande volume de água e detritos, provocando a inundação em cadeia.
Outras autoridades trabalham com a hipótese de que um deslizamento tenha bloqueado um curso de água na região fronteiriça. Não havia, até o fechamento, confirmação de rompimento de lago glacial ou relação direta com um terremoto.
As autoridades também monitoravam a possibilidade de novas inundações provocadas por bloqueios no curso dos rios. Moradores das áreas mais baixas e próximas às margens foram orientados a buscar locais elevados.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a intensificação das buscas, o atendimento aos feridos e a retirada das pessoas que permaneciam em áreas de risco.
Em 2025, uma inundação repentina na mesma região matou nove pessoas, deixou 24 desaparecidas e destruiu uma ponte que ligava o Nepal à China. Posteriormente, especialistas concluíram que aquele episódio havia sido provocado pelo esvaziamento de um lago formado sobre uma geleira.
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