| Por: Adalberto Luque |
A Justiça manteve a prisão preventiva do fazendeiro Alípio João Júnior após a audiência de instrução e julgamento realizada na terça-feira (25), no Fórum Criminal de Ribeirão Preto. Ele participou da audiência de forma remota, diretamente do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto, onde está preso desde julho de 2025.
A defesa pediu a concessão de liberdade provisória e reiterou a necessidade de apresentação de documentos médicos. O pedido, porém, foi negado pela 4ª Juíza Auxiliar, Carolina Moreira Gama, da 1ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, que considerou necessária a manutenção da prisão para garantia da ordem pública.
Na decisão, a magistrada cita a gravidade dos fatos atribuídos ao réu e, principalmente, o risco de reiteração de condutas. O processo envolve acusações de perseguição e ameaças dirigidas a diferentes vítimas, inclusive com referências à morte e à integridade física de familiares.
A decisão também considera outros processos em andamento na comarca, nos quais Alípio responde por ameaça e dano qualificado. A juíza menciona ainda um episódio envolvendo ameaça e disparo de arma de pressão contra um segurança de um shopping na zona Leste.
Segundo a magistrada, esse conjunto de situações indica risco concreto de novos episódios caso o réu seja colocado em liberdade. Ela também afirma que medidas cautelares diferentes da prisão não seriam suficientes, neste momento, para interromper os comportamentos atribuídos a ele.
Questão médica
A situação de saúde apresentada pela defesa também foi analisada. A juíza determinou que os documentos médicos que ainda não foram apresentados sejam juntados com urgência, para permitir uma avaliação mais completa do quadro.
A decisão ressalta que, até o momento, não há segurança sobre qual tratamento deverá ser adotado caso Alípio deixe a prisão nem sobre como seria garantido o acompanhamento necessário. Por isso, a alegação relacionada à saúde não foi considerada suficiente para a substituição da prisão preventiva.
Além da documentação, a magistrada determinou que Alípio seja encaminhado com urgência para consulta médica, destinada a avaliar a necessidade de medicamentos e tratamento. O estabelecimento prisional deverá informar por escrito, em até dez dias, se a determinação foi cumprida.
A prisão poderá ser reavaliada caso os novos documentos médicos apresentem elementos relevantes ou ocorra alteração no quadro. A decisão também prevê nova análise por ocasião da sentença.
Entenda o caso
O caso ganhou repercussão em junho de 2025, quando Alípio foi preso após um disparo de espingarda de pressão contra um funcionário de um shopping na zona Leste de Ribeirão Preto. Segundo a investigação, o episódio ocorreu após uma discussão relacionada à saída do estacionamento.

A prisão relacionada a esse caso chegou a ser revogada, com aplicação de medidas cautelares. Semanas depois, porém, Alípio voltou a ser preso após novas denúncias envolvendo moradores do condomínio onde morava, no Centro.
Os episódios relatados no prédio incluíam ameaças, inclusive de morte, explosões de bombas e outros conflitos com moradores e o síndico. Em agosto de 2025, uma assembleia aprovou a expulsão do fazendeiro do condomínio, medida posteriormente reconhecida pela Justiça.
Em junho deste ano, Alípio foi condenado a 10 meses e 24 dias de prisão, em regime aberto, por ameaça e dano qualificado contra vizinhos. Ele permanece preso preventivamente devido a outros processos que ainda estão em andamento.
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