Justiça define se Elizabete será submetida a novo júri popular

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| Por: Adalberto Luque |

Começa hoje, às 13h30, a audiência de instrução e julgamento de Elizabete Arrabaça, acusada de feminicídio contra a própria filha, Nathalia Garnica, que morreu em fevereiro do ano passado. A sessão será realizada no Fórum de Pontal, na região metropolitana de Ribeirão Preto, de forma híbrida.

Elizabete, que está presa em Tremembé, no Vale do Paraíba, deverá ser ouvida por videoconferência. Testemunhas que não moram em Pontal também prestarão depoimento pela internet.

A audiência poderá definir se a idosa também será submetida ao Tribunal do Júri pela morte de sua nora, Larissa Talle Leôncio Rodrigues. O filho de Elizabete, o médico ortopedista Luiz Antônio Garnica, marido de Larissa, também é réu nesse processo.

Serão ouvidas testemunhas de defesa e acusação. Na sequência, serão analisadas as provas e, depois, Ministério Público e defesa terão prazo para apresentar suas alegações por escrito. Somente então a juíza responsável pelo caso, Bruna Araújo Capelin Matioli, da 1ª Vara da Comarca de Pontal, decidirá se o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri. O resultado não deve ser conhecido hoje.

Estratégia

Responsável pela defesa de Elizabete, o advogado Bruno Corrêa Ribeiro acredita que poderá reverter a tese da acusação. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) alegou que Elizabete seria viciada em jogos e teria acumulado muitas dívidas, o que teria motivado a morte da filha para que ela ficasse com a herança e a pensão.

Advogado pretende provar que idosa não era viciada em jogos e estava com as contas em dia (Foto: Alfredo Risk)

“A ideia é a gente comprovar que a senhora Elizabete não tinha nenhum problema financeiro até a prisão pela morte de Larissa. Era totalmente adimplente. Tinha alguns financiamentos, mas pagava, sendo totalmente adimplente. E também comprovar que ela não tinha nenhum vício em jogos, como quer fazer crer o Ministério Público. Isso derruba a tese do MP porque ela tinha dívidas e foi para ficar com a herança”, afirmou o advogado.

Relembre o caso

Nathalia morreu em 9 de fevereiro de 2025. Inicialmente, o caso foi tratado como morte natural. Após a repercussão da morte da nora de Elizabete, Larissa, caso em que a idosa e seu filho, Luiz Antônio Garnica, ex-marido da vítima, foram denunciados e pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri, o delegado responsável pelas investigações decidiu solicitar a exumação do corpo de Nathalia.

Com a exumação, laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou que Nathalia também havia sido envenenada com a substância popularmente conhecida como “chumbinho”, assim como ocorreu com Larissa. O inquérito concluiu que Elizabete seria a única responsável pelo crime e encaminhou o caso à Justiça. O Ministério Público ofereceu denúncia.

Elizabete e o filho já passaram por audiência de instrução no processo que apura a morte da professora Larissa. O juiz responsável pelo caso, José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara Criminal e do Júri de Ribeirão Preto, já decidiu pela pronúncia de mãe e filho, e o caso será julgado pelo Tribunal do Júri.

No caso Larissa, mãe e filho foram pronunciados e devem ser submetidos ao Tribunal do Júri, mas processo está em fase de recursos (Foto: Redes Sociais)

A data do julgamento ainda não foi marcada, pois o processo está em fase de recurso.

Em abril deste ano, a juíza de Pontal recebeu a denúncia apresentada pelo promotor Vinicius Pascueto Amaral contra Elizabete. Ela passou a responder também por tentativa de homicídio qualificado contra a amiga Neusa Maria Costa de Andrade Ghioto, de 78 anos.

Segundo a acusação, o crime teria sido cometido por motivo torpe, com emprego de veneno, meio insidioso e cruel, mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi apontada a agravante de o crime ter sido cometido contra pessoa com mais de 60 anos.

A defesa alega inocência nos três casos em que Elizabete foi denunciada.

Outro caso em que Elizabete chegou a ser investigada foi a morte da prima Élede Guidi, de 80 anos, ocorrida em dezembro de 2016. O inquérito foi arquivado.

Elizabete está presa em Tremembé (SP) desde 20 de agosto do ano passado. Antes disso, passou pela Cadeia Pública de São Joaquim da Barra, pela Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu e pela Penitenciária Feminina de Votorantim.

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Texto original daqui