Nesta terça-feira (1º de setembro de 2026), a Operação Sevandija completa 10 anos de sua deflagração. Considerada o maior escândalo de corrupção da história política de Ribeirão Preto, a investigação expôs um esquema na prefeitura da cidade. Uma década depois, no entanto, o desfecho dos processos oriundos da investigação ainda aguarda a retomada do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
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O que foi a Sevandija?
A operação foi deflagrada pela PF (Polícia Federal) em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). As investigações apontaram para desvios de mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos de Ribeirão Preto.
A investigação apontou que o esquema estava divididos em 4 núcleos:
Honorários (Acordo dos 28%): pagamentos ilegais e propinas disfarçadas de honorários para liberação de honorários advocatícios ligados ao acordo judicial entre prefeitura e o Sindicato dos Servidores.
Terceirizados: Uso da empresa Atmosphera para contratar indicados políticos (cabos eleitorais) e garantir votos de vereadores ao Executivo, somado ao pagamento de propinas em contratos que somaram R$ 49 milhões.
Daerp: Edital com serviços artificialmente concentrados para habilitar apenas uma empresa, resultando em superfaturamento, pagamento de propina a agentes públicos e contratos de R$ 84 milhões.
Caso das catracas: Suspeita de fraude iniciada em 2011 na compra de catracas para Secretaria da Educação, envolvendo empresas de um mesmo grupo familiar em contrato superior a R$ 24 milhões.
A operação resultou no afastamento e na prisão de secretários municipais, empresários, vereadores e da ex-prefeita Dárcy Vera.
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Julgamento no STF
Mesmo com as condenações na Justiça de Ribeirão Preto, que foram confirmadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), a Sevandija aguarda o julgamento de recursos no STF.
O Supremo deve analisar a validade das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça na ocasião e que foram questionadas pela defesa do ex-secretário Marco Antonio dos Santos. O caso chegou à 2ª Turma do STF, onde o processo começou a julgado no plenário virtual, mas deve ir para o plenário físico.
Na ocasião, o relator do processo, ministro Kassio Nunes Marques, votou para manter a validade dessas provas. Já Gilmar Mendes divergiu do voto do relator e pediu para que a discussão seja levada a plenário, o que ainda não ocorreu.

‘Três anos de paralisação apenas favorecem a impunidade’, avalia Cristiano Pavini
O jornalista Cristiano Pavini, autor do livro “Sevandija: a história da operação contra corrupção que estremeceu uma das maiores cidades brasileiras”, lançado pelo Grupo EP, ressalta o significado desta marca e a necessidade de um veredito definitivo.
Pavini cobriu o passo a passo da Operação Sevandija pelo Jornal A Cidade. “Os dez anos de deflagração da Sevandija deve servir como reflexão sobre os crimes praticados contra o erário e sobre quais medidas foram, e principalmente quais não foram, adotadas para blindar a administração pública de ilícitos. É essencial que a Suprema Corte enfim julgue a validade das interceptações telefônicas, para que as doze ações penais tenham um desfecho, com condenação de culpados e eventual absolvição de inocentes. Esses três anos de paralisação apenas favorecem a impunidade”, disse.

Outro lado
É válido lembrar que a defesa da ex-prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera sempre negou qualquer envolvimento nos esquemas investigados.
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