Justiça ouve testemunhas em caso de açaí envenenado em Ribeirão Preto

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A Justiça deu início nesta terça-feira (1º) as audiências de instrução do processo contra Larissa de Souza Batista, acusada pelo Ministério Público de tentar matar o namorado, Adenilson Ferreira Parente, após ele passar mal ao consumir um açaí com chumbinho em Ribeirão Preto.

De acordo com as informações da EPTV, cerca de dez pessoas foram ouvidas no Fórum do município, entre elas o delegado Fernando Bravo, familiares, representantes da loja onde o produto foi comprado, Adenilson e a própria Larissa.

Após prestar depoimento à Justiça, o delegado afirmou que a investigação policial foi concluída e encaminhada para análise judicial.

“Finalizamos o inquérito policial, foi encaminhado à juíza. Ela queria saber como foi feita a investigação, qual foi a nossa apuração, qual foi a nossa conclusão. Agora encerrou a parte policial e vamos aguardar a decisão judicial”, disse Bravo.

Adenilson Ferreira Parente e Larissa de Souza Batista – Foto: redes sociais | reprodução/ EPTV.

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O que diz a acusação contra Larissa?

O Ministério Público acusa Larissa de ter planejado a morte do namorado e de ter usado chumbinho para tentar envenená-lo. A denúncia aponta tentativa de homicídio qualificado por meio cruel, uso de veneno e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

Para o MP, Adenilson só não morreu por circunstâncias que fugiram do controle da acusada. Larissa foi presa preventivamente em abril e permanece na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu.

A defesa nega as acusações e informou que entrou com um pedido de habeas corpus. Segundo os advogados, o Ministério Público já concordou que ela não representa risco para as investigações e pode responder ao processo em liberdade.

A defesa também afirmou que Larissa e Adenilson continuam juntos, apesar das acusações. Até a última atualização, a Justiça ainda não havia analisado o pedido de liberdade.

Namorada de Adenilson, Larissa de Souza Batista, negou qualquer envolvimento no caso - Foto: câmera de segurança.
Namorada de Adenilson, Larissa de Souza Batista, negou qualquer envolvimento no caso – Foto: câmera de segurança.

Relembre o caso do açaí envenenado

O caso aconteceu no dia 5 de fevereiro, quando Larissa foi até uma loja de açaí na zona Leste de Ribeirão Preto, retirar o pedido de dois copos de açaí.

Imagens de câmera de segurança mostram que na porta da residência dos envolvidos, Larissa entrega um dos copos para Adenilson, que deixa o produto no chão e sai do local. Na sequência, as imagens mostram a mulher recolhendo o copo de açaí do chão e entrando na residência.

Por volta das 20h, o casal retornou ao local, reclamou do sabor estranho e devolveu o açaí, que foi descartado. O homem precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, mas se recuperou e passa bem.

Polícia confirmou que era chumbinho a substância encontrada em copo de açaí (Foto: reprodução/EPTV)
Polícia confirmou que era chumbinho a substância encontrada em copo de açaí (Foto: reprodução/EPTV)

A possibilidade de o açaí ter sido envenenado na loja em que foi vendido está descartada pela polícia desde o início das investigações. Segundo o delegado José Carvalho de Araújo Júnior, o preparo do produto foi filmado e em nenhum momento as imagens demonstraram atitude suspeita.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) identificou a presença de terbufós no copo de açaí, componente químico típico de venenos usados na agricultura.

A mulher prestou depoimento à Polícia Civil no dia 19 de fevereiro. Desde o início da investigação ela nega qualquer envolvimento no caso. “Não sou culpada, não fui eu. Ele tomou açaí e, cerca de meia hora depois, começou a ter alguns sintomas”.

No dia 7 de abril, Adenilson prestou um novo depoimento à polícia e voltou a afirmar que acredita na inocência da namorada. “Mesma declaração. Não tenho nada a esconder. Não tenho nada a esconder, não. (…) Até porque, quase morro. Eu poderia muito bem falar. Eu poderia muito bem falar. (…) Eu quero que isso acabe e pronto”.

Na época do ocorrido, o promotor Eliseu Berardo Gonçalves chegou a levantar a hipótese de que o crime teve motivação financeira, já que a vítima carregava entre R$ 18 mil e R$ 20 mil em dinheiro vivo no dia do ocorrido.

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