Adenilson Ferreira Parente, vítima do caso do açaí envenenado em Ribeirão Preto, afirmou à Justiça que não acredita que a namorada, Larissa de Souza Batista, tenha tentado matá-lo. Durante a audiência de instrução, ele disse que não sabe como a substância apontada como veneno chegou ao copo e declarou que não sente medo dela.
Entenda
O depoimento aconteceu durante a audiência que apura a acusação de tentativa de homicídio contra Larissa. Segundo Adenilson, a namorada também foi responsável por buscar ajuda quando ele começou a apresentar sintomas após consumir o açaí.
Vítima afirma que pretende continuar relacionamento
Adenilson contou que mantém um relacionamento com Larissa há cerca de três anos e afirmou que a convivência entre os dois não faz com que ele acredite na hipótese de uma tentativa de homicídio.
Questionado sobre a possibilidade de a namorada deixar a prisão, ele disse que pretende continuar com o relacionamento e voltar a morar com ela.
Durante o depoimento, Adenilson também negou que os dois tenham discutido no dia em que ele passou mal. Ele afirmou ainda que o casal não enfrentava problemas financeiros.
O homem disse que Larissa não costumava pedir dinheiro de forma excessiva e negou a existência de seguros ou outros benefícios em seu nome que pudessem favorecer a namorada.
Promotor considera depoimento ao pedir liberdade
O promotor Eliseu Berardo Gonçalves se manifestou favoravelmente ao pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa de Larissa.
Segundo ele, o posicionamento de Adenilson teve peso na manifestação do Ministério Público. O promotor explicou que avaliaria a situação de outra forma caso a vítima afirmasse ter medo da ré ou temesse sofrer algum novo ataque.
“Poderia haver perigo para ele, para o Adenilson, a soltura dela. Mas, como ele vai continuar morando com ela, ele não tem medo nenhum, temor nenhum, então pesou”, afirmou.
Apesar da manifestação favorável à liberdade, a decisão sobre a prisão preventiva cabe à Justiça.
Larissa está presa desde abril na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu.
Adenilson relata compra e consumo do açaí
Adenilson afirmou que ele e Larissa fizeram o pedido de dois açaís por aplicativo e foram juntos até o estabelecimento para retirar os produtos.
De acordo com o depoimento, Larissa abriu um dos copos na frente dele e consumiu o produto. Adenilson levou o outro para casa e o colocou na geladeira enquanto saiu para buscar um carro que havia comprado.

Quando voltou, segundo ele, retirou o copo ainda dentro do saquinho e com o lacre. Depois de abrir o produto, começou a consumir o açaí. Adenilson relatou que percebeu um gosto diferente, mas não associou o sabor à presença de veneno naquele momento.
Depois, os dois retornaram ao estabelecimento para reclamar sobre o produto. A vítima negou que Larissa tenha tentado impedir que ele conversasse com funcionários da loja.
“Em nenhum momento”, respondeu ao ser questionado sobre isso.
Namorada teria pedido ajuda após sintomas
Depois de voltar para casa, Adenilson disse que tomou banho e jantou. Em seguida, começou a apresentar sintomas como febre, calafrios e escurecimento da visão.

Segundo ele, Larissa percebeu a situação e sugeriu que o irmão dele fosse chamado para ajudar.
“Foi ela que pediu para ligar para o meu irmão para levar no hospital”, afirmou.
O irmão chegou ao imóvel e levou Adenilson ao hospital, acompanhado por familiares e por Larissa.
Durante a audiência, a vítima relatou que permaneceu cinco dias entubada e passou outros cinco dias em recuperação.
Larissa afirma que colocou leite condensado
Durante o mesmo processo, Larissa apresentou uma versão diferente sobre o conteúdo colocado no açaí. Ela afirmou à Justiça que adicionou leite condensado ao produto.
A acusação contesta essa versão e sustenta que a substância encontrada no açaí tinha relação com uma tentativa de envenenamento.

Larissa responde por tentativa de homicídio qualificado por meio cruel, uso de veneno e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
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O que diz a defesa?
A advogada Jéssica Nozé afirmou, em nota, que apresentou o pedido de liberdade provisória após os depoimentos colhidos durante a audiência.
Segundo a defesa, as declarações prestadas em juízo indicaram que Larissa não oferece risco à vítima, às testemunhas ou ao andamento da ação. A advogada também destacou que Larissa e Adenilson afirmaram que continuam juntos e que pretendem morar novamente na mesma casa caso ela deixe a prisão.
A defesa ressaltou que a manifestação do Ministério Público pela possibilidade de liberdade não representa uma mudança na acusação feita contra Larissa.
“O promotor segue firme com a acusação, enquanto a defesa segue intransigente com as teses defensivas”, informou a advogada.
A defesa pretende pedir a absolvição de Larissa e a impronúncia, para evitar que ela seja levada a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Com informações da EPTV
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