A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto hidratado), novo medicamento oral da farmacêutica AbbVie para a prevenção da enxaqueca.
O remédio pertence a uma classe mais recente de medicamentos que atuam sobre o CGRP, molécula envolvida nos mecanismos de dor da enxaqueca. O atogepanto foi desenvolvido especificamente para bloquear essa via relacionada à doença.
A Anvisa autorizou duas apresentações do Aquipta: comprimidos de 10 mg e 60 mg, em caixas com 28 unidades. O registro é válido até setembro de 2036.
O preço do medicamento e a data de chegada às farmácias brasileiras ainda não foram informados.
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Como funciona o novo medicamento para enxaqueca?
O atogepanto pertence ao grupo dos gepants, que bloqueiam o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido como CGRP.
Durante uma crise de enxaqueca, o sistema nervoso trigeminal é ativado e libera substâncias envolvidas na transmissão da dor, entre elas o CGRP. O atogepanto bloqueia o receptor dessa molécula e reduz a ação dos sinais associados à dor e à sensibilização das vias nervosas.

Por ser administrado por via oral, o medicamento também se diferencia dos anticorpos monoclonais contra o CGRP ou seu receptor, que são aplicados por injeção.
Na União Europeia, o Aquipta recebeu autorização em 2023 para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. Em 2026, a indicação europeia também foi ampliada para o tratamento das crises agudas.
No Brasil, as indicações e condições de uso devem seguir a bula aprovada pela Anvisa.
Medicamento ainda não faz parte do SUS
O registro da Anvisa não significa que o Aquipta será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Anvisa avalia a qualidade, a segurança e a eficácia dos medicamentos para autorizar a comercialização. Já a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisa se uma tecnologia deve ser incorporada ao SUS, considerando as evidências clínicas, as opções já disponíveis e a relação entre custos e benefícios.

Com o registro, o Aquipta passa a ter autorização sanitária para comercialização no Brasil. A definição do preço, o lançamento nas farmácias e uma eventual avaliação para incorporação ao SUS ainda dependem de novas etapas.
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