Um estudo inédito revelou que Ribeirão Preto tem água subterrânea suficiente para continuar crescendo e abastecendo a população até pelo menos 2050. Os resultados do levantamento “Aquífero Guarani para o Futuro de Ribeirão Preto – Capacidade Máxima, Resiliência e Sustentabilidade” foram apresentados pela Saerp (Secretaria de Água e Esgoto) ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Pardo na última semana.
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A pesquisa foi coordenada pelo geólogo Ricardo Hirata, referência internacional em águas subterrâneas. O levantamento confirma que o aquífero suporta a demanda atual e permite ampliar em até 50% o volume captado, alcançando uma vazão sustentável de 9 metros cúbicos por segundo.
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“Esse estudo nos permite olhar para o futuro de Ribeirão Preto com segurança e responsabilidade. Estamos falando da água que vai abastecer nossos filhos e as próximas gerações”, disse o prefeito Ricardo Silva (PSD).
No entanto, essa abundância exige uma virada de chave operacional: para afastar o risco de colapso, a cidade precisará redistribuir os poços de captação e mudar o mapa de extração nos próximos anos.
“O levantamento mostrou que o aquífero possui capacidade para atender à demanda atual da população e ainda permitir um aumento de até 50% na captação de água, desde que a exploração seja realizada de forma planejada e equilibrada”, explica Mateus Simionato, gestor do projeto.
O gargalo histórico: concentração no Centro
O estudo levou em consideração que Ribeirão Preto é um caso raro entre municípios de grande porte, já que 100% do abastecimento público vem de águas subterrâneas, como ocorre na Alemanha, França e Dinamarca.
Por conta disso, foi possível identificar um desafio histórico, já que a concentração excessiva de poços na região central da cidade provocou o rebaixamento gradual do lençol subterrâneo ao longo dos anos em determinadas áreas.
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As simulações feitas pela equipe de pesquisadores indicam dois caminhos:
Cenário sem mudanças: Manter a captação concentrada no Centro causará a perda de produtividade dos poços, queda acentuada de vazão e alta nos custos operacionais com energia.
Cenário com redistribuição: Descentralizar gradativamente os novos poços rumo às áreas periféricas, permite reduzir a pressão sobre áreas mais exploradas e preserva a capacidade do aquífero no longo prazo.
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As medidas da Saerp para blindar a rede até 2050
Para adequar a infraestrutura às conclusões da modelagem 3D, a Saerp já coloca em prática um plano de reestruturação física e operacional:
Distribuição por Gravidade: 35 dos 56 setores ativos de abastecimento operam via reservatórios (54% da rede, como Cristo Redentor e Ribeirão Verde); Redução da pressão direta nos poços e menor risco de rompimento;
Setorização de Rede: Ipiranga e Alto do Ipiranga com novos registros e adutoras, Isolamento de vazamentos e precisão no controle de vazão
Combate às Perdas: Ações contra ligações clandestinas e falhas de hidrômetros (conclusão em 2027); Interrupção do desperdício de água potável já extraída
Além dos dados para gestão hídrica, o levantamento cria um banco de dados permanente para que novos investimentos públicos sejam balizados por previsões científicas de vazão, e não por demandas emergenciais. A íntegra do documento técnico está acessível para consulta pública diretamente no portal oficial da Saerp (clique aqui).



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