O avô de Sophia Emanuelly dos Santos, de 3 anos, José dos Santos, e a companheira dele, Karen Tamires Marques, vão a júri popular pela morte da menina, que aconteceu em fevereiro deste ano, em Ribeirão Preto.
Os dois respondem por feminicídio qualificado, tortura e omissão. A decisão que determina que o casal seja submetido ao Tribunal do Júri ainda pode ser contestada por recurso. O julgamento não tem data marcada.
José e Karen estão presos preventivamente desde fevereiro, quando Sophia chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida Treze de Maio. As defesas dos dois negam responsabilidade pela morte da menina.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o julgamento só poderá ser agendado após o fim da fase de recursos, caso a sentença de pronúncia seja mantida. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Morte de Sophia
Sophia chegou à UPA na noite de 17 de fevereiro. José levou a menina até a unidade e disse aos médicos que ela passava mal e havia vomitado durante o trajeto.
O pediatra de plantão constatou que a criança já estava morta e acionou a polícia. O registro da ocorrência apontou hematomas pelo corpo e sinais de esganadura no pescoço.
Durante a investigação, uma médica legista estimou que Sophia havia morrido entre seis e 12 horas antes de chegar à UPA.
Exames também identificaram lesões de diferentes períodos, desnutrição grave, fratura, edema cerebral, sarcopenia e baixa densidade capilar. Segundo a investigação, os ferimentos indicavam que a menina sofria agressões havia algum tempo.
Receba notícias do acidade on Ribeirão no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Investigação apontou agressões e falta de alimentação
José tinha a guarda de Sophia desde 2024. O avô, Karen e a menina moravam em um apartamento no Parque São Sebastião, na Zona Leste de Ribeirão Preto.
A investigação apontou que Sophia sofria agressões e passava períodos sem se alimentar. Os investigadores também identificaram que a menina não recebia atendimento médico desde 2023.
Em depoimento à polícia, Karen afirmou que não gostava da criança e admitiu que batia nela com frequência. Ela também relatou que esganou Sophia depois que a menina se recusou a comer.
Na época, o delegado Sebastião Vicente Picinato afirmou que o relato indicava o momento em que a menina poderia ter morrido.

José e Karen foram presos em flagrante após a morte de Sophia. Depois, a Justiça converteu as prisões em preventivas durante a audiência de custódia.
Avó havia denunciado possíveis maus-tratos
Antes da morte de Sophia, a avó materna da menina, que mora em Itapetininga, procurou o Conselho Tutelar da cidade para relatar preocupações sobre a criança.
Segundo o Ministério Público, a primeira denúncia aconteceu em abril de 2025. A avó relatou que Sophia estava muito magra e apresentava machucados pelo corpo. O caso seguiu para o Conselho Tutelar de Ribeirão Preto.

Conselho tutelar
Uma visita chegou a acontecer no endereço onde a menina morava. No entanto, segundo documento obtido durante a investigação, ninguém foi encontrado no imóvel e o telefone informado não atendia. O registro indicou que o caso deveria aguardar uma nova denúncia.
Em agosto deste ano, o Ministério Público pediu, em uma ação separada, o afastamento de cinco conselheiras tutelares por suposta omissão na apuração das denúncias relacionadas à menina.
A Promotoria também pediu a cassação dos mandatos e a proibição de que as conselheiras disputem novas eleições para o cargo por oito anos.
O Ministério Público considera que a atuação do Conselho Tutelar não foi suficiente diante dos relatos apresentados pela avó antes da morte de Sophia.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ribeirão Preto e região por meio do WhatsApp do acidade on Ribeirão: (16) 99117-7802.
O post Caso Sophia: Avô e companheira vão a júri popular pela morte de menina de 3 anos apareceu primeiro em ACidade ON Ribeirão Preto.

