| Por: Adalberto Luque |
Começa nesta segunda-feira (1º) o julgamento do policial militar Maicon de Oliveira Santos, de 36 anos. Ele será submetido a sessão do Tribunal do Júri pelo homicídio de Júlia Ferraz Signoreto, de 27 anos, e por tentativa de homicídio contra dois homens que estavam em uma moto. O crime ocorreu em 14 de agosto de 2023.
O Tribunal do Júri, com início marcado para as 10h, será presidido pelo juiz José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. O PM segue trabalhando e responde ao processo em liberdade.
O julgamento havia sido marcado para 16 de março deste ano, mas foi adiado para esta segunda-feira a pedido do advogado João Carlos Campanini, responsável pela defesa do militar. A denúncia foi apresentada pelo promotor Marcus Túlio Alves Nicolino, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Expectativas
Segundo Nicolino, a expectativa é pela condenação pela dupla tentativa de homicídio e pelo homicídio consumado de Júlia.

“Com as duas qualificadoras: motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. As provas indicam sem dúvida que os meninos não praticaram uma tentativa de assalto e que o fato dele ter disparado contra eles revelou um despreparo, um desequilíbrio não esperado de um policial militar. Os meninos já estavam à frente, a moto já à frente, não havia necessidade daqueles disparos, mesmo assim o policial disparou 10 vezes, atingindo os meninos e atingindo també à Júlia”, disse.
Já o advogado de defesa do PM pretende demonstrar aos jurados que o policial agiu dentro da lei, uma vez que foi vítima de uma tentativa de assalto.
Assistente de acusação e representante da família de Júlia, o advogado Maurício Lins Ferraz também espera ver o réu condenado.

“A prova é muito consistente e o comportamento do réu, absolutamente injustificável e especialmente reprovável. O fato ocorreu há quase três anos e as filhas e o marido da vítima Júlia precisam de uma resposta severa e imediata da justiça”, adiantou.
Também assistente de acusação e representante de Arthur de Lucca dos Santos Freitas Lopes, um dos rapazes que estavam na moto, Luiz Felipe Rizzi Perrone disse estar confiante de que as provas produzidas ao longo do processo demonstram a culpa do réu.

“Esperamos que a decisão final represente a efetiva realização da Justiça em relação a todas as vítimas envolvidas neste caso, bem como a seus familiares, que aguardam uma resposta justa do Poder Judiciário”, destacou o advogado.
Relembre o caso
Na madrugada de 14 de agosto, o PM Maicon de Oliveira Santos, de folga e à paisana, seguia de motocicleta pela avenida Independência, no Jardim Sumaré, zona Sul de Ribeirão Preto. Ele trafegava no sentido Centro quando, após a rotatória com a avenida João Fiúza, teria sido abordado por dois jovens em uma moto.
As duas motocicletas pararam. Em seguida, o PM sacou uma arma, enquanto os ocupantes da outra moto fugiam. Quando eles já estavam a alguns metros de distância, o policial efetuou vários disparos. Um dos tiros atingiu a perna de um dos ocupantes da moto.
Outro disparo atingiu Júlia Ferraz Signoreto, de 27 anos, que estava com um amigo no canteiro central da avenida e atravessava a via para ir a um bar. O tiro atingiu seu coração e ela morreu no local.

Os dois jovens retornaram de moto para o Parque Ribeirão Preto, na zona Oeste. Em seguida, foram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Adelino Simioni, na zona Norte, onde o rapaz ferido recebeu atendimento.
No decorrer do inquérito, eles relataram que houve uma discussão de trânsito, o que teria motivado o PM a atirar contra eles. Já Maicon afirmou que os jovens tentaram roubar sua moto e, por isso, reagiu.
O militar chegou a ficar preso no Presídio Romão Gomes, mas sua defesa obteve o direito de ele responder em liberdade, e ele seguiu trabalhando.
Na denúncia, o promotor sustenta que duas das vítimas trafegavam em uma motocicleta quando avançaram um sinal vermelho. Em seguida, o denunciado se aproximou para interpelá-las, mas houve uma discussão e o policial passou a efetuar diversos disparos diante de uma casa noturna movimentada.
Os disparos também atingiram as pernas de Gustavo Alexandre Scandiuzzi Filho e Arthur de Lucca dos Santos Freitas Lopes. A gerente de loja Júlia Ferraz Signoreto, que atravessava o canteiro da avenida Independência, morreu no local.
Caso os jurados considerem o policial culpado, ele poderá sair preso do tribunal.

