Quando assumiu o Ministério da Saúde, há cerca de um ano, o deputado federal Alexandre Padilha (PT) disse ao presidente Lula que, à frente da pasta, teria três missões prioritárias. A primeira, colocar de pé o programa “Agora Tem Especialistas”, criado para diminuir o tempo de espera para o tratamento de doenças e ampliar as cirurgias eletivas em todo o país.
A segunda missão seria combater o negacionismo sobre a eficiência das vacinas e aumentar a taxa de cobertura delas em todo o país. Já a terceira missão seria iniciar uma revolução digital e tecnológica no SUS.
Em visita a Ribeirão Preto, o ministro que, na época, combinou com o presidente Lula que não seria candidato à reeleição para deputado, anunciou investimento de R$ 100 milhões em um programa inovador contra o câncer, desenvolvido no Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan. Também entregou veículos para o Samu e outros equipamentos para prefeitos de mais de 50 cidades da região. Em entrevista ao Tribuna Ribeirão, falou sobre suas ações e desafios no comando da saúde pública brasileira e sobre as eleições deste ano.
Tribuna Ribeirão – O senhor tem percorrido o Brasil anunciando investimentos em saúde pública em muitas regiões. Pode-se dizer que o Ministério da Saúde tem aplicado a máxima de que precisa estar onde o povo está?
Alexandre Padilha – O Ministério da Saúde, sob a liderança do presidente Lula, está levando o SUS para o lado do povo brasileiro em todos os municípios brasileiros. Primeiro, porque o Programa Agora Tem Especialistas, que é prioritário, está reduzindo as filas e o tempo de espera para cirurgias. Em 2025, primeiro ano do programa, batemos o recorde de cirurgias eletivas no país. Foram 14 milhões e 900 mil cirurgias, um percentual 42% maior do que em 2022, que foi o último ano do governo anterior.
Tribuna Ribeirão – Aqui em Ribeirão Preto o senhor entregou, durante sua visita, entre outros equipamentos, veículos para o Samu e anunciou programas para mais de 50 cidades da macrorregião. Como foi planejada esta entrega?
Alexandre Padilha – Em Ribeirão Preto entregamos veículos, ambulâncias e micro-ônibus para mais de 50 cidades da região. Essas ações fazem parte do compromisso do presidente Lula em investir no aumento da qualidade da saúde pública para toda esta região. O Ministério da Saúde ficou seis anos sem comprar uma ambulância sequer para o Samu. Graças a Deus, vamos entregar, até o final do governo Lula, 5 mil ambulâncias para o Samu. Só para Ribeirão, agora, foram 10 ambulâncias.
A grande novidade que entregamos para a região de Ribeirão Preto, pelo Agora Tem Especialistas, foi o Caminhos da Saúde, que, por meio de ambulâncias e micro-ônibus, vai transportar pacientes de cidades menores para as cidades-polo em saúde, como Ribeirão Preto. Hoje isso é feito pelas prefeituras, de forma improvisada em alguns casos.
“Em 2025, primeiro ano do programa ‘Agora Tem Especialista’, batemos o recorde de cirurgias eletivas públicas no país. Foram 14 milhões e 900 mil”
Tribuna Ribeirão – Fale sobre os investimentos nos projetos CAR-T Cell e o Genoma anunciados pelo senhor.
Alexandre Padilha – Esses dois projetos mostram que, quando o governo do Brasil investe e acredita na ciência, nas universidades públicas, nos nossos pesquisadores e instituições, o Brasil pode estar na vanguarda da descoberta de novas tecnologias para o tratamento de doenças. E quem ganha é a população brasileira, que passa a ter mais medicamentos eficientes e tratamentos com mais tecnologia de ponta.
O CAR-T Cell tem investimentos de mais de R$ 100 milhões e pode significar uma grande revolução no tratamento do linfoma e de outras doenças. Este tratamento, que custa R$ 2,5 milhões, poderá ser incorporado ao SUS, de graça, cuidando das pessoas. Os resultados preliminares são muito promissores.
Já o Projeto Genoma, que entrará na segunda fase, terá mais R$ 180 milhões do Ministério da Saúde. Isso vai permitir o sequenciamento de mais de 50 mil pessoas no Brasil de diferentes etnias, o que é muito importante para identificar, através do sequenciamento genético, futuros diagnósticos e terapias direcionadas ao combate do câncer e de doenças crônicas.
Tribuna Ribeirão – O senhor tem trabalhado no aprimoramento do Sistema Único de Saúde. Que avaliação faz deste trabalho?
Alexandre Padilha – Quando assumi o Ministério, há cerca de um ano, tinha três missões. A primeira era colocar de pé o Programa Agora Tem Especialistas. Ele movimenta a saúde pública e diminui o tempo de espera para o tratamento de doenças como o câncer e as cirurgias eletivas. Hoje temos recordes expressivos com o programa, que já realizou, por exemplo, 30.900 transplantes. Um recorde mundial no sistema público.
A segunda missão foi combater o negacionismo sobre a eficiência das vacinas. Terminamos 2025 com a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos. A vacina do HPV contra o câncer tem hoje uma cobertura cinco vezes maior que a média mundial. Mas temos um grande trabalho ainda para derrotar aqueles que são antivacinas e espalham mentiras e fake news, colocando em risco a vida do povo brasileiro.
A terceira missão foi iniciar uma revolução digital e tecnológica no SUS. Estamos entregando, em todo o país, os equipamentos mais modernos que existem, como os de radioterapia. Estamos reequipando hospitais e investindo em tecnologia. Na saúde digital, já foram feitos mais de 6 milhões de teleatendimentos pela Telessaúde.
“Infelizmente o Brasil viveu, recentemente, um período de trevas em que até o então presidente da República fazia campanha contra vacinas”
Tribuna Ribeirão – A expectativa de vida da população brasileira tem aumentado. Como o SUS tem se preparado para atender uma população mais idosa na prevenção de doenças mais prevalentes neste público?
Alexandre Padilha – O envelhecimento da população é um dos grandes desafios para o SUS. Temos que enfrentar isso em duas grandes ações. A primeira é investir no envelhecimento ativo. Fazer com que, ao longo da vida, as pessoas façam exercícios, tenham hábitos de saúde que façam com que elas tenham um envelhecimento saudável. A retomada das academias pelo SUS é uma grande ação para isso. Já temos mais de 40 milhões de pessoas que fazem estas atividades, acompanhadas por enfermeiros, fisioterapeutas e professores de educação física.
A outra frente em que temos investido tem sido facilitar o acesso desta faixa etária à saúde pública, algo que o programa Agora Tem Especialistas tem feito. Também estamos reorganizando o SUS para atender e ampliar o atendimento das doenças que surgem com o envelhecimento.
Tribuna Ribeirão – Que avaliação o senhor faz dos resultados do Programa Agora Tem Especialistas na redução de filas por cirurgias e exames?
Alexandre Padilha – Em um ano colocamos o programa de pé. Batemos o recorde de cirurgias eletivas. Com as carretas do programa percorrendo municípios de todo o país, mais de 2.800 até agora, foram realizadas cirurgias oftalmológicas e outros exames e tratamentos. Isso também aconteceu em Ribeirão Preto, que já recebeu estas carretas.
“Para se ter uma ideia, tinha hospital federal no Rio de Janeiro, onde os trabalhadores tinham que pagar pedágio para a milícia no estacionamento”
Tribuna Ribeirão – Uma das preocupações de técnicos da saúde pública tem sido a diminuição na procura por vacinação em várias faixas da população. Por que isso tem acontecido?
Alexandre Padilha – Infelizmente o Brasil viveu, recentemente, um período de trevas em que até o então presidente da República fazia campanha contra vacinas. Isso desmontou uma cultura da população de acompanhar a vacinação de seus filhos e de ter a caderneta de vacinação deles em dia. Felizmente estamos superando esta época e derrotando os negacionistas. Mas temos muita luta e trabalho pela frente para derrotá-los.
Tribuna Ribeirão – Este ano teremos eleições. O senhor vai participar como um dos articuladores da campanha de reeleição do presidente Lula?

Alexandre Padilha – Quando o presidente me convidou para ser ministro da Saúde, me perguntou se eu assumiria um compromisso com ele de ficar no Ministério até o final do governo e não ser candidato à reeleição para deputado. Disse para ele que nada me honrava mais do que poder trabalhar para implantar programas como o Agora Tem Especialistas e enfrentar os negacionistas e uma extrema direita que não acredita na ciência nem na defesa da vida.
Minha participação no debate eleitoral será fazer com que as ações do Ministério da Saúde tenham o maior sucesso possível e não permitir que quem tentou destruir o SUS volte a governar este país. Aliás, o Bolsonarinho, que representa este grupo, tinha, durante o governo deles, a função de coordenação política dos hospitais federais do Rio de Janeiro, ligados ao Ministério da Saúde.
Tivemos que fazer uma verdadeira intervenção para ressuscitar estes hospitais e entregá-los de volta à população do Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, tinha hospital federal no Rio de Janeiro onde os trabalhadores tinham que pagar pedágio para a milícia no estacionamento. Junto com a prefeitura, o governo do Rio de Janeiro e entidades como a Fiocruz, estamos recuperando e devolvendo estes hospitais para a população.
Tribuna Ribeirão – O senhor acredita que Ribeirão Preto tem chances concretas de eleger deputado ou deputada pelo Partido dos Trabalhadores?
Alexandre Padilha – Tenho certeza absoluta de que as candidaturas do PT em Ribeirão Preto, em especial a da Duda Hidalgo, vão dar um show nesta eleição. É uma candidata de renovação, trazendo uma imagem nova, a figura de uma mulher com uma história de atuação muito firme como vereadora, e vai se consolidar como grande liderança em Ribeirão Preto e na região.
“O CAR-T Cell tem investimentos de mais de R$ 100 milhões e pode significar uma grande revolução no tratamento do linfoma e de outras doenças”
Tribuna Ribeirão – Em política existe um ditado que diz que o candidato à reeleição de um cargo Executivo tem que mostrar ao eleitor o que fez durante o mandato. Já os candidatos da oposição têm que mostrar o que o governante não fez. O que o presidente Lula fez e o que ele não conseguiu fazer?
Alexandre Padilha – Nestes três anos e meio, o presidente Lula fez o Brasil sair do mapa da fome. Fez com que o país conseguisse, neste período, ter a menor taxa de inflação desde a criação do Plano Real. Fez o Brasil voltar a crescer com uma média superior aos dez anos anteriores a ele. Fez o Brasil bater recorde na indústria automobilística e no volume de cirurgias eletivas pelo SUS.
O presidente Lula possibilitou o aumento no número de jovens formados no ensino superior no nosso país. Tivemos recordes na safra brasileira, o aumento da produção na agricultura familiar e iniciamos a maior transição energética de proteção do meio ambiente. O presidente Lula fez com que o Brasil voltasse a ser respeitado internacionalmente e que o povo brasileiro voltasse a ser cuidado.
O que o presidente Lula não conseguiu fazer foi acabar com a máquina de mentiras e fake news que existe através de celulares, WhatsApp e redes sociais. Mas, mesmo com esta máquina de mentiras, tenho certeza de que a verdade prevalecerá, vencerá e teremos mais quatro anos de presidente Lula governando este país.

