O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) aponta no relatório final do acidente com o avião da Voepass uma série de falhas que contribuíram para a queda da aeronave da companhia em agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas, em Vinhedo, no interior de São Paulo. A companhia aérea foi criada em Ribeirão Preto e operava o voo 2283 entre Cascavel (PR) e o Aeroporto de Guarulhos (SP).
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As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (8) pela jornalista Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de S.Paulo.
Entre os pontos, o órgão cita a distração de pilotos, segurança frágil e falha da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
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O relatório final do acidente foi enviado a autoridades da França e Canadá, já que a ATR, empresa fabricante do avião, é francesa e os motores tinham origem canadense. Somente depois de revisão, o relatório deverá ser divulgado ao público.

O que diz relatório sobre a queda de avião
Sobre a conduta dos pilotos, o Cenipa afirma que um “estado de distração” expôs o avião a “alto risco” durante emergência causada por excesso de gelo nas asas. Ainda cita que um dos pilotos enfrentaria problemas pessoais.
“Durante uma parcela significativa do voo, os pilotos permaneceram envolvidos em conversas informais não relacionadas à condução técnica e operacional da aeronave, o que reduziu o foco da atenção da tripulação tanto no monitoramento do ambiente externo, caracterizado pela presença de condições favoráveis à formação de gelo severo, quanto na observação das indicações e alertas acionados no cockpit”, diz.
O documento também cita a “cultura organizacional da empresa”, que, segundo o órgão, seria frágil na segurança.
“As decisões tomadas pelos pilotos durante o voo do acidente foram influenciadas por um contexto organizacional marcado por múltiplas fragilidades na cultura de segurança, no qual a aceitação de desvios havia se tornado normalizada e os alertas da aeronave haviam sido banalizados, reduzindo a percepção do risco”, diz.
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Para o Cenipa, a falha no sistema de degelo da estrutura da aeronave era de conhecimento de pilotos e técnicos da companhia.
“Apesar de terem conhecimento prévio da falha no sistema de degelo da estrutura da aeronave (Airframe De-Icing System) e da previsão de condições favoráveis à formação de gelo severo ao longo da rota, a tripulação optou por prosseguir com o voo conforme planejado, sem adotar medidas mitigadoras destinadas a reduzir o risco inerente à operação sob tais condições atmosféricas”, afirma.
Outro lado
A assessoria de imprensa da Voepass disse, em nota à Folhade S.Paulo, que colabora com as autoridade e que não se pronunciará antes da conclusão das investigações.
A Anac disse, também ao jornal, que não teve acesso ao relatório e não pode comentar o teor. (Com informações divulgadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
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