Com a conclusão do inquérito, padre Mário Reis foi indiciado por estupro de vulnerável e importunação sexual; pedido de prisão será analisado pela Justiça
| Por: Adalberto Luque |
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o padre Mário Reis da Silveira, que era pároco da Paróquia Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Bonfim Paulista, zona Sul de Ribeirão Preto. O religioso foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual.
A investigação começou depois que a Arquidiocese de Ribeirão Preto tomou conhecimento de denúncias envolvendo o padre e acólitos, também conhecidos como coroinhas. Mário Reis está afastado de todas as funções dentro da Igreja Católica desde março, quando a Arquidiocese foi informada das denúncias.
Desde então, ele não exerce atividades religiosas na paróquia nem ocupa qualquer outra função eclesiástica.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva do religioso. O pedido ainda não foi analisado e, portanto, Mário Reis da Silveira permanece em liberdade.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as provas reunidas e decidir se oferece denúncia à Justiça. Caso haja denúncia, caberá ao Judiciário decidir pelo seu recebimento e também sobre o pedido de prisão preventiva.
Investigação
Durante as investigações, policiais civis tiveram acesso a mensagens e imagens atribuídas ao padre, parte delas de conteúdo íntimo envolvendo menores. O material foi apreendido e analisado durante o inquérito.
Parte das mensagens e imagens foi extraída do celular do religioso. Outra parte foi obtida a partir de um computador do padre, localizado em Minas Gerais, onde ele aguarda a tramitação do caso.
Também foram colhidos relatos de coroinhas que apontaram episódios de toques em partes íntimas, beijos e tentativas de beijo atribuídos ao religioso. A investigação reuniu relatos referentes a diferentes períodos. Há relatos de situações ocorridas há aproximadamente 20 anos e de outras mais recentes, segundo fontes ligadas ao caso.
Mário Reis prestou depoimento de forma remota e negou as acusações. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a investigação levaram ao indiciamento pelos dois crimes.
O caso foi conduzido pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, com a colaboração da Arquidiocese de Ribeirão Preto, que também instaurou procedimentos internos depois de tomar conhecimento das denúncias.
Defesa
A defesa do padre informou que o indiciamento não representa uma acusação formal e destacou que o caso tramita em segredo de Justiça. Segundo os advogados, Mário Reis da Silveira é inocente das acusações.
A Arquidiocese de Ribeirão Preto informou anteriormente que acompanha os procedimentos, instaurou investigação própria e coopera com as autoridades responsáveis pela apuração. A instituição também afirmou manter tolerância zero em relação a situações de abuso.
O indiciamento encerra a etapa de investigação policial. Agora, caberá ao Ministério Público avaliar as provas reunidas e decidir se apresenta ou não denúncia contra o padre à Justiça.
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