Como funciona fábrica de ração que produz 170 mil toneladas com robôs em Ribeirão Preto

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A produção de ração para cães e gatos movimenta milhões de toneladas todos os anos no Brasil. Em 2025, foram mais de 4 milhões de toneladas de Pet Food produzidas no país, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet).

Uma parcela desse volume é produzida em Ribeirão Preto, onde a Nestlé Purina mantém uma fábrica há cerca de 60 anos. Segundo dados da unidade, a planta produz aproximadamente 170 mil toneladas por ano de alimentos para cães e gatos.

Localizada no Parque Industrial, na zona Norte do município, a fábrica é a única na América Latina que reúne, em um mesmo local, a produção de alimentos secos, úmidos e petiscos. Essa estrutura permite que a fábrica atenda o mercado brasileiro e também envie produtos para mais de dez países.

Para dar conta desse volume e das diferentes linhas, boa parte da produção de ração acontece de forma automatizada. Portantno, máquinas, robôs e sistemas acompanham desde as receitas utilizadas até diferentes parâmetros do alimento durante a fabricação – veja vídeo logo abaixo.

“É uma fábrica extremamente tecnológica. As pessoas praticamente não têm contato com o produto, então todo o sistema é automatizado, todas as receitas são super controladas e os sistemas de qualidade não permitem falhas”, explica o engenheiro de produção da Nestlé Lucas Missiagia.

Lucas Missiagia, engenheiro de produção da Nestlé – Foto: Vítor Neves.

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Como funciona a produção de ração na fábrica da Purina em Ribeirão Preto?

Na prática, a tecnologia acompanha praticamente todo o caminho percorrido pelo alimento dentro da fábrica.

A unidade funciona dentro do conceito de “Indústria 4.0”, com equipamentos conectados que permitem acompanhar as linhas e reunir informações sobre a produção em tempo real.

Segundo o Sebrae, a Indústria 4.0, também chamada de Quarta Revolução Industrial, é a transformação digital dos processos industriais. Na prática, significa incorporar tecnologias às operações para melhorar os processos e aumentar a produtividade.

Atualmente, a fábrica de ração conta com 19 robôs que trabalham no mesmo espaço que os funcionários e dão apoio às operações. Na produção de alimentos úmidos, 100% do processo é automatizado e robotizado.

A unidade também utiliza o sistema MES (Manufacturing Execution System, em tradução livre, Sistema de Execução de Manufatura) e tecnologias como machine learning, visão computacional, sensores inteligentes e inteligência artificial para controle de umidade, inspeção de codificação e manutenção preditiva, além de Big Data, análise de dados e computação em nuvem.

“O que está dentro daquele pacote tem uma tecnologia por trás, tem uma ciência muito grande. Estando dentro de Nestlé Purina, é uma ciência mundial, vem diretamente dos Estados Unidos, então tem muito trabalho ali dentro”, explica o engenheiro de produção.

Além da tecnologia usada nas linhas, a produção também passa por diferentes controles de qualidade.

Conforme a empresa, ao longo de um ano, são mais de 350 mil análises microbiológicas, 40 mil análises físico-químicas e 65 mil análises sensoriais de produtos e embalagens. Além disso, equipamentos também verificam características como proteína, gordura e umidade da ração produzida.

Segundo a empresa, esse controle também continua depois que o alimento deixa a linha de produção, já que o sistema de rastreabilidade permite identificar, em menos de duas horas, para onde determinado produto foi distribuído no Brasil ou no exterior.

Robôs auxiliam na produção da fábrica da Nestlé Purina, em Ribeirão Preto - Foto: Vítor Neves.
Robôs auxiliam na produção da fábrica da Nestlé Purina, em Ribeirão Preto – Foto: Vítor Neves.

Tecnologia permite criar texturas semelhantes às de carnes

A tecnologia também é utilizada para definir características da ração que chega aos cães e gatos. Na linha de produtos úmidos, a fábrica de Ribeirão Preto conta com uma tecnologia própria da Nestlé Purina capaz de criar texturas semelhantes às de carnes.

Segundo a empresa, esse processo permite desenvolver diferentes texturas e sensações nos alimentos, além de aumentar a palatabilidade, ou seja, tornar o alimento mais agradável ao paladar dos animais.

“Apenas as fábricas de Ribeirão Preto, Vargeão, em Santa Catarina, e de León, no México, contam com esse nível tecnológico na América Latina”, contou Lucas Missiagia.

Até R$ 50 milhões por ano em investimentos

Para manter a modernização da unidade, a Nestlé Purina investe atualmente entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões por ano na fábrica de Ribeirão Preto, segundo Lucas Missiagia.

Os maiores aportes ocorreram durante projetos de expansão. Entre 2017 e 2021, mais de R$ 700 milhões foram destinados à unidade, incluindo investimentos em novas tecnologias para a fabricação de ração úmida e inovações no portfólio.

Já em 2022, outros R$ 130 milhões foram aplicados em uma nova linha totalmente automatizada de alimentos secos para cães e gatos e na ampliação da produção.

“Se a gente olhar para os últimos 10 anos, houveram investimentos muito maiores, né? A gente já investiu na parte nova de úmidos, na casa de 700 milhões; na parte secos, mais que 100 milhões. Então, o investimento é contínuo a cada ano, a cada estratégia, mas a gente mantém no mínimo aí entre R$ 40 e R$ 50 milhões anuais”, afirmou Missiagia.

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