Delegado atualiza apuração casos de violência escolar

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| Por: Adalberto Luque |

A Delegacia da Infância e da Juventude (DIJU) de Ribeirão Preto acompanha as apurações de quatro ocorrências de violência envolvendo estudantes, registradas em escolas da cidade nas últimas semanas. O delegado Haroldo Chaud convocou, na manhã desta quinta-feira (27), uma entrevista coletiva para atualizar o andamento dos procedimentos e detalhar as diligências realizadas em cada caso.

Ferimento em escola

O primeiro caso ocorreu no dia 5 de agosto, na Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, nos Campos Elíseos, zona Norte da cidade. Uma estudante ficou ferida após uma briga ocorrida em frente à unidade de ensino.

Segundo o delegado, entre as providências estão o exame de corpo de delito da vítima e a análise de peças relacionadas à ocorrência, que deverão ser anexadas ao material apurado.

Aluna teria sido ferida por arma branca na porta de escola ao tentar evitar que colega fosse agredida por mãe de outra alula (Fotos: Google Street View e Redes Sociais)

A aluna teria sido agredida ao tentar apartar uma briga entre a mãe de outra estudante e uma colega. Ao se aproximar, teria sido atingida pela filha da mulher, que utilizou uma arma branca para causar os ferimentos. A apuração e a coleta de depoimentos prosseguem.

Artefato explosivo

A segunda ocorrência envolveu um artefato que teria causado ferimentos em adolescentes. O caso foi registrado no dia 11 de agosto, na Escola Estadual Alcides Corrêa, no bairro Alto da Boa Vista, zona Sul.

A DIJU ainda aguarda os laudos dos exames de corpo de delito realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML) e o resultado da perícia do objeto.

Segundo Chaud, a Polícia Científica ainda está dentro do prazo para emissão dos laudos. Os documentos serão analisados pela DIJU assim que forem encaminhados.

Três adolescentes sofreram ferimentos com estilhaços da explosão ocorrida no pátio de escola pública (Foto: Reprodução)

O caso poderá ser desmembrado porque envolve dois jovens de 18 anos e dois adolescentes de 16 anos relacionados à explosão, que teria causado ferimentos em três jovens de 15 anos.

Facada nas costas

Em outro caso, ocorrido em uma escola particular, um adolescente foi ferido com uma facada nas costas. O autor foi ouvido pela polícia, mas, segundo Chaud, optou por permanecer em silêncio e foi liberado após prestar depoimento.

O ataque ocorreu no dia 21 de agosto, no Colégio Itaramati, no Jardim Irajá, zona Sul da cidade.

A DIJU ainda aguarda para ouvir a vítima, que, segundo o delegado, permanecia em tratamento até o dia anterior à entrevista. Também é aguardado o laudo do exame de corpo de delito. Até então, havia apenas o documento emitido pelo hospital onde o adolescente recebeu atendimento.

Uma das questões investigadas é a origem da faca utilizada no ataque. O adolescente afirma que pegou o objeto na própria escola, enquanto a instituição informou que não possui em seu acervo uma faca daquele tipo. Conforme Chaud, as duas hipóteses ainda são possíveis e estão sendo apuradas.

Delegacia apura versões da escola, do aluno agressor e da vítima, além de ouvir várias testemunhas (Foto: Alfredo Risk)

Segundo os relatos colhidos até o momento, não houve discussão ou ofensas imediatamente antes do ataque. A vítima teria acreditado inicialmente que havia recebido um soco pelas costas, até que colegas avisaram que ela havia sido atingida por uma faca.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e prestou atendimento. Ainda segundo o delegado, o adolescente apontado como autor tentou deixar a escola, mas foi detido pela portaria.

A polícia também ouviu profissionais envolvidos no caso, inclusive o advogado da escola. Segundo Chaud, não existem imagens do momento do ataque, pois o local não é filmado, e nenhum aluno teria registrado a agressão com celular.

As mensagens de um grupo de WhatsApp formado por estudantes também fazem parte do contexto apurado. Conforme o delegado, o grupo reunia alunos da mesma série, de diferentes salas, e havia ofensas, ameaças e agressões verbais entre praticamente todos os participantes.

Chaud classificou a situação como um “bullying sistêmico” e chamou a atenção para a necessidade de os pais e responsáveis acompanharem o que os filhos fazem na internet e com quem mantêm contato.

Agressão com soco inglês

O caso mais recente citado na coletiva ocorreu na Escola Estadual Cônego Barros, na região central da cidade, na noite de 24 de agosto.

De acordo com Chaud, a motivação ainda não foi esclarecida porque, até o momento, foram ouvidos apenas o adolescente apontado como autor e uma diretora da escola.

Soco inglês utilizado na agressão que causou fratura na face ainda não foi localizado e justiça teria determinado que menor agressor fosse solto da Fundação Casa (Foto: Alfredo Risk)

A apuração indica que, na sexta-feira anterior, a vítima teria acertado involuntariamente uma bolada em uma garota durante um chute. Ela teria pedido desculpas, mas o episódio teria desencadeado o desentendimento ocorrido posteriormente.

O adolescente estava com um soco inglês e utilizou o objeto para realizar as agressões. Ele chegou a ser detido, mas foi solto por decisão da Justiça, segundo o delegado. A princípio, responde por ato infracional análogo a lesão corporal.

A DIJU já possui uma ordem judicial para requisitar o exame de corpo de delito da vítima. O objeto utilizado na agressão não foi apreendido e, segundo o delegado, pode ter sido descartado pelo autor.

Também deverão ser ouvidas a pessoa que teria sido atingida pela bolada e a vítima da agressão, assim que apresentarem condições de saúde.

Redes sociais

Durante a coletiva, Chaud afirmou que ainda é cedo para estabelecer uma relação entre os diferentes episódios ou afirmar que um caso tenha estimulado outros. Segundo ele, a influência das redes sociais sobre comportamentos violentos precisa ser estudada.

O delegado afirmou que, atualmente, os acontecimentos são acompanhados rapidamente por meio das redes sociais e que isso pode, eventualmente, estimular ações violentas. Para ele, é necessário o envolvimento do Poder Público, das escolas, dos pais e dos responsáveis para analisar o impacto desse ambiente sobre os adolescentes.

Chaud orientou os pais a manterem, dentro das possibilidades, um acompanhamento mais próximo dos filhos, observando mudanças de comportamento e procurando saber com quem os adolescentes interagem e o que fazem na internet.

Segundo o delegado, as interações virtuais podem facilitar ofensas, agressões verbais e ameaças porque não há uma reação presencial imediata. Esses comportamentos, afirmou, precisam ser observados pelos responsáveis.

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Texto original daqui