Açaí com chumbinho: Larissa pode responder em liberdade

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| Por: Adalberto Luque |

Foi realizada na tarde desta terça-feira (1º), no Fórum de Ribeirão Preto, a audiência de instrução e julgamento de Larissa Batista de Sousa, acusada de tentar matar o namorado, Adenilson Ferreira Parente, com um copo de açaí envenenado com chumbinho. O caso ocorreu em fevereiro deste ano.

Pelo menos dez pessoas foram ouvidas durante a audiência, entre elas familiares, representantes da loja onde o açaí foi comprado, a vítima, a acusada e o delegado Fernando Bravo, responsável pela investigação. Larissa participou da audiência de forma virtual, diretamente da Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, onde está presa preventivamente desde 15 de abril.

A audiência foi conduzida pela juíza Carolina Moreira Gama, da 1ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto, responsável pela análise da denúncia apresentada pelo promotor Eliseu José Berardo Gonçalves, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Segundo o delegado Fernando Bravo, a Polícia Civil apresentou durante a audiência os elementos reunidos ao longo da investigação. Ele afirmou que o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça.

“Nós reportamos ali toda a investigação, tudo o que aconteceu na investigação. Agora nós temos que aguardar a decisão judicial”, afirmou Bravo.

De acordo com o delegado, as imagens das câmeras de segurança foram analisadas durante a investigação e, segundo a apuração policial, descartaram a possibilidade de manipulação do produto dentro da loja onde o açaí foi comprado.

A defesa de Larissa, que nega a acusação, informou ter apresentado pedido de habeas corpus para que ela possa responder ao processo em liberdade. Até o momento, porém, a Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido.

Segundo a advogada, a defesa sustenta que não há risco de Larissa interferir na instrução do processo ou influenciar testemunhas. Ela afirmou ainda que, com o fim do inquérito, não haveria mais investigação a ser prejudicada.

A defesa também informou que Larissa e Adenilson continuam mantendo contato por meio de cartas. Segundo a advogada, a vítima não acredita que a namorada tenha sido responsável pelo envenenamento e mantém a versão apresentada durante a investigação.

Laudo do IC constatou presença de “chumbinho” em copo de açaí (Foto: Reprodução)

Adenilson chegou ao Fórum de Ribeirão Preto antes do início da audiência, mas não quis falar com a imprensa. “Prefiro não falar, não”, disse.

O irmão da vítima, Aleilson Parente, também acompanhou a audiência. Ele afirmou esperar que o caso seja esclarecido e que, se Larissa tiver cometido o crime, se arrependa.

“Espero que, se realmente ela tiver feito isso, que ela se arrependa. Se ela realmente fez isso, torno a repetir, ela se arrependa e não faça mais isso com ninguém”, afirmou.

Aleilson também pediu desculpas aos responsáveis pela empresa onde o açaí foi comprado, que, segundo ele, foram inocentados durante a apuração. “Em nome da família, eu peço perdão para eles, porque foi uma empresa que também sofre as consequências sem merecer”, disse.

Bravo, responsável pela investigação que concluiu pela acusação de Larissa, também foi ouvido pela juíza do caso (Foto: Alfredo Risk)

Larissa foi denunciada pelo MPSP por tentativa de homicídio qualificado por meio cruel, uso de veneno e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O processo tem tramitação prioritária no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Relembre o caso

O caso ocorreu em 5 de fevereiro, quando Adenilson consumiu um copo de açaí contaminado com chumbinho e precisou ser internado em estado grave. Ele permaneceu alguns dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sobreviveu.

Durante a investigação, Adenilson afirmou acreditar na inocência da namorada. A Polícia Civil apurou as circunstâncias do envenenamento e analisou imagens de câmeras de segurança relacionadas à compra do produto.

Larissa foi presa preventivamente em 15 de abril e permanece na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu. A defesa agora aguarda uma decisão da Justiça sobre o pedido para que ela responda ao processo em liberdade.

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Texto original daqui