Acusada de matar a própria filha, Nathália Garnica, Elizabete Arrabaça voltou a negar o crime durante a audiência de instrução realizada na última segunda-feira (31). Em depoimento prestado à Justiça, a mulher de 68 anos afirmou mais de uma vez que é inocente.
Em trechos da audiência obtidos pela EPTV, Elizabete foi questionada diretamente se havia matado a filha. Ao negar a acusação, ela fez um juramento de inocência e chegou a dizer que aceitaria ficar cega caso estivesse mentindo – veja vídeo logo abaixo.
“Eu sou inocente. Eu juro por Pai, Filho e Espírito Santo que eu sou inocente. Tudo isso é mentira”, declarou. Em outro momento, ao negar novamente a acusação, ela afirmou: “Eu quero que essa luz me cegue se eu estiver mentindo.”
A audiência faz parte do processo que apura a morte de Nathália Garnica e foi realizada no Fórum de Pontal, na região de Ribeirão Preto. Presa na Penitenciária de Tremembé desde agosto de 2025, Elizabete participou da sessão por videoconferência.
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Elizabete nega vício em jogos
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Elizabete Arrabaça por matar a própria filha, com veneno conhecido como chumbinho. O crime ocorreu em 9 de fevereiro de 2025, em uma casa no Residencial São Benedito, em Pontal.
Segundo a denúncia, Elizabete agiu com intenção de matar e utilizou Carbofurano, substância proibida no Brasil desde 2017 por sua alta toxicidade. A promotoria afirma que o crime teve motivação financeira e foi cometido de forma dissimulada, impedindo qualquer reação da vítima.
Por esse motivo, Elizabete também foi questionada sobre a possibilidade de ter o hábito de jogar ou fazer apostas. Ela negou e disse que nunca teve esse costume. “Nunca tive, doutor, nunca”, respondeu.
Ao falar sobre a própria vida, Elizabete afirmou que, depois da separação, passou a se dedicar aos filhos e ao trabalho voluntário. Segundo ela, chegou a recusar propostas de casamento porque preferiu manter o foco na família.
“Pareceu gente, queria até casar comigo, não quis, só me dediquei meus filhos. Somente”, declarou durante o depoimento.
O que diz a defesa?
Em entrevistas à EPTV, Bruno Côrrea, advogado de Elizabete Arrabaça, afirmou que, na avaliação da defesa, não há provas de que ela tenha matado a filha, Nathália Garnica.
Segundo ele, a acusação tentou relacionar Elizabete a dificuldades financeiras e a um suposto vício em jogos para apontar um possível interesse na herança da filha. A defesa, porém, afirma que esses pontos foram desconstruídos durante as audiências.
O advogado também destacou que o envenenamento de Nathália está comprovado, mas questionou quem foi responsável pelo crime.
“A gente tem que entender quem foi a pessoa que realmente a envenenou. (…) Quem tem que fazer a prova que o fato realmente aconteceu é o Ministério Público. E, aos olhos da defesa, isso não foi feito nessas audiências.”

Morte de Nathália Garnica
A investigação sobre a morte de Nathália recomeçou em março, depois que Larissa Rodrigues, nora de Elizabete, morreu envenenada em Ribeirão Preto. A suspeita de ligação entre as duas mortes levou à exumação do corpo de Nathália, que confirmou a presença do mesmo tipo de veneno.
O laudo toxicológico apontou intoxicação por Carbofurano em órgãos como estômago, fígado e pulmões. A perícia concluiu que a morte não ocorreu por causas naturais, como inicialmente registrado.
O Ministério Público identificou pesquisas online feitas por Elizabete um dia antes do crime com os termos “veneno chumbinho” e “forma de intoxicação”. O celular da acusada também revelou buscas sobre jogos de azar e pensão por morte de filho, feitas poucos dias após o falecimento da vítima.
De acordo com o processo, Elizabete tinha dívidas altas, envolvia-se com apostas online e dependia financeiramente da filha. Testemunhas relataram que as duas mantinham uma relação conflituosa por dinheiro e que a mãe desaprovava o relacionamento amoroso de Nathália, que pretendia se casar.


Caso Larissa
Elizabete Arrabaça também responde por matar a nora Larissa, em Ribeirão Preto, usando o mesmo tipo de veneno. A investigação aponta que ela descobriu uma relação extraconjugal do marido e mencionou a possibilidade de separação um dia antes do crime.
O MP acusa o médico Luís Antônio Garnica como mentor do assassinato, enquanto sua mãe, Elizabete Arrabaça, teria executado o crime. Segundo a denúncia, Larissa teria sido envenenada com chumbinho a mando do marido, para evitar a divisão de bens em caso de divórcio.
Ambos respondem por feminicídio, mas o julgamento ainda não tem data definida. Um recurso tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo. O promotor responsável acredita que o recurso pode ser julgado no primeiro semestre, possibilitando o júri ainda no segundo semestre de 2026.
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